Caro gay branco padrão.

Caco Baptista A.
May 11, 2017 · 4 min read

Pode parecer novidade pra você mas eu senti a necessidade de te contar uma notícia em primeira mão. Estou aqui pensando de qual forma falar isso, porque realmente não quero ser essa pessoa, trazer uma má notícia é sempre um peso, né?

Mas olha..Sinto que é melhor vir de uma leitura branda, calma do que qualquer outra coisa. Olha, peço que confie em mim, porque vai que vai doer, tá bom?

Se prepara que eu vou falar, ok? Desculpa! Mas o mundo não gira em torno de você. É, eu sei… Nesse momento você deve estar pensando “como assim”, olhando indignado tentando entender, pensando em mil ofensas politicamente corretas pra usar contra mim, mas eu entendo…

É tudo muito novo! Realmente há um grau de dificuldade muito grande em ser quem você é, quem sou eu pra negar isso, né? O ser humano em dificuldade precisa de auxílio, por isso eu resolvi me prontificar a te ajudar a entender alguns pontos.

Por onde começar? Acho que o fundamental é a captação da mensagem, entenda mais como um conselho, de brother sabe? Amigo que é amigo não curte ver amigo passando vergonha então, acredite que eu tô pensando no seu melhor, ok?

Eu realmente torço para que seus direitos sejam respeitados e que pautas importantes sejam trabalhadas: como a meritocracia através da beleza — que acontece com 90% de vocês — nos mais variados espaços.

Nada contra gente bonita, juro! Principalmente se for algo massificado, de verdade. Mas andei reparando que existe algo de muito curioso em vocês que…Aparentemente pensar pra falar acaba não sendo um forte. Aí, desculpa a franqueza, mas precisava falar!

A comunicação vem através da exposição, pra que falar se eu posso postar uma selfie sem camisa, né? A gente perde tanto tempo levantando questão importante, discutindo e buscando uma qualidade de vida, mas realmente, é melhor garantir aquela chuva de likes, principalmente se for pra se promover em cima de causas importantes.

Ou a crítica social foda por poder falar que não pega por “questão de gosto”. Porque né? Objetificação é um rolê é muito arcaico, se duvidar nem existe mais. A gente pode sim, em alto e bom som dizer os motivos pelos quais não pega alguém ou até mesmo justificar o mal tratamento e indiferença com base nisso. Sou completamente a favor da liberdade de expressão, amigo! Só vai!

Ou pelo fato de não ter recebido aplauso o suficiente por alguma merda que você fez e falou, as pessoas tem realmente dificuldade de entender as piadas, ser incompreendido é comum, eu também concordo. O mundo tá chato demais, precisamos nos unir mais mesmo!

Ou quem sabe a relativização da gordofobia, onde você -através de uma dismorfia corporal — se proclamam gordos mas se recusam a estabelecer qualquer tipo de relação com gordo.

Os seus mais de 100 reais na academia precisam ser observado, afinal você pagou porque tem condições, né? Triste é a vida de quem não pode, a de quem vive gordo, mas fica tranquilo! É super ok se achar gordinho por não ter perdido os 2kg que precisa pro seu peso ideal.

E digo mais, migo… Eu realmente acho que os outros gays pegam no seu pé, é foda né? A gente nasce de um jeito e acaba sendo julgado assim?

Não é como se você tivesse algum privilegio, né? Afinal o mundo tá aí pra gente desbravar, são oportunidades iguais, o que fazemos dela que conta. Eu sei, juro! Você não tem culpa de ser assim. Mas né? Um dia o povo vai se colocar no seu lugar.

Eles não sabem o que é ser desejado por todo mundo, né? Isso é inveja, com toda a certeza! E digo mais, perseguição! E você lá tem culpa de ser padrãozinho?

Ai, desculpa! Eu sei que essa palavra incomoda, não foi por mal! Longe de mim odiar o padrão! Eu acho massa mesmo é esse rolê pique ator pornô da Randy Blue, sabe?

Amigo, não se faça de besta que você sabe! Aquele pornô que parece um eterno compilado de vídeos de incesto! 900 cara igual com o pinto rosa!

Sabe o que eu também acho incrível? Me amarro num negão, se tem algo que eu piro é quando não consigo nem manter uma conversa linear e mando pergunta sobre o tamanho do pau de 5 em 5 minutos. Chamei de cafuçu então? O fetiche tá completo!

Não, minto! Gordinho é minha obsessão, nessa hora que eu piro mesmo! Meço de cima abaixo como se fosse lixo. Ignoro quando falam comigo porque né? É gordo! Se puder fazer piada gordofóbica, ai sim que eu fico maluco.

Não vai… Vou contar um segredo, mas não espalha, ok?. Meu tesão máximo é afeminado. Botou uma saía eu já quero gritar “ficou mordide desconstruíde!?”. Faço questão de me sentir superior, porque eu sou homem, claro. É lógico que sempre rola uma piada com gênero, porque, né? Se eu não entendo, não faz sentido. Eu juro que me esforço, mas esse povo todo vive de ódio.

Eu entendo você. Você não tem culpa de ser elite, nem precisa se explicar, amigo! Juro! Que Deus olhe por essas pessoas ruins, vai dizer?

Amigo, depois a gente conversa melhor, tá? Eu perdi a hora aqui, e tô morrendo de fome, acho que vou pegar um biscoito.

Beijo! Fica bem, ok?

Caco Baptista A.

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