Eu não sei.

Esse ano que passou, mais do que nunca eu me permiti não saber as coisas. 
Não que eu tenha me alienado e parado de buscar informações ou algo do gênero.

Só parei pra perceber o quanto as pessoas falam sobre aquilo que não dominam, ou como tem uma opinião acertiva sobre tudo e passei a prestar atenção no meu comportamento. Observando isso, tem uma série de coisas que eu não sei e fingia saber, ou pelo menos precisava de o mínimo de base pra dizer algo, mas ainda sim insistia em falar sobre.

Mesmo que soasse feio ou parecesse falta de interesse eu decidi que era a hora de mudar todo esse cenário. Talvez um um teste, mas era importante dar início. Sim, a partir daquele momento eu ia falar que não sabia.

Com um pouco de resistência do resultado disso, resolvi começar com calma, na humildade mesmo respondendo para algumas questões.

Usei isso algumas vezes no trabalho, algo arriscado pra quem tinha acabado de entrar, mas — por ser sempre franco/sincero — felizmente isso foi levado de uma forma positiva.

Não sabia, me propus a aprender, levei umas broncas aqui e ali por não saber, algo que sabia que aconteceria, mas saiu melhor do que dar aquele jeitinho maroto que provavelmente ia colocar numa segunda pergunta saia justa.

Resolvi aplicar com amigos também. “Vamos nos ver?” e lá estava a resposta. “Essa roupa ficou boa?” ainda completava com “é você que tem que saber”. Me dei a liberdade de ser mais franco ainda com eles, porque sei que aguentam…Pra que prolongar situações sendo que eu de fato não sabia o que responder a respeito? E sendo bem sincero, saber as coisas é uma parada bem complicada.

Tendo em vista que os conceitos mudam e que a gente sempre precisa ter resposta na ponta da lingua, melhor dizer algo com 100% de certeza, não? Mesmo que essa certeza seja não ter certeza nenhuma sobre o assunto comentado.

Até mesmo para questões pessoais, sempre fui uma pessoa ansiosa por respostas, e claro que a vida me enchia de perguntas que acabavam por me consumir ao invés de me acalentar. Respondi não sei pra todas elas e fui chutando até ver qual seria a melhor saída.

Meu primeiro encontro com meu namorado, por exemplo, minha cabeça fez a questão de me encher de perguntas: “como vai ser?”, “onde vamos?”, “será que vai ser lega?”. Me enchi de coragem declarando um enorme não sei para cada uma delas, me permitindo ser livre e seguindo de encontro a essa possibilidade.

É como se por eu resolvesse colocar a vida no shuffle sabe? Daqueles bem amplos, que podem tocar Wesley Safadão ou Nicki Minaj. As possibilidades são inúmeras e agir sem pensar não é uma coisa bem bacana de se fazer.

O legal foi observar o quão alta era a minha ansiedade ao dizer algo a respeito de algo que eu não sabia e o quanto eu me sentia relaxado ao dizer com todas as letras “olha.. eu não sei”. Não tinha a pressão de impressionar ninguém, de parecer inteligente, de ter sempre aquela carta na manga, “não sei.. mas posso descobrir”, não é feio e nem errado, mas nos condicionaram a achar que de alguma forma, é uma resposta que não serve.

O não saber pode ser libertador, na maioria das vezes porque te deixa ser neutro a respeito de situações que provavelmente te deixariam numa sinuca de bico ou resultariam em diversos questionamentos.

Se eu pretendo adotar isso para 2016? Não sei.

Se isso vai continuar funcionando? Não sei.

Se eu devo escrever um segundo texto aqui? Também não sei.

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