THAT’S NOT FETCH AT ALL: Tá na hora da gente entender “Mean Girls”.

Caco Baptista A.
Feb 23, 2017 · 4 min read

Ainda é muito comum quando se trata de comportamento, principalmente dentro da comunidade gay, o uso de referências relacionadas ao filmes.

A gente reproduz memes, faz piadas e se diverte com isso, mas existe algo muito mais profundo por trás disso e talvez isso não tenha sido aprendido ainda.

Eu me recuso a começar qualquer texto que seja falando que isso é o mal de uma geração toda. Porque não é, talvez justamente por conta disso que o filme deva ter sido criado.

E pra seguir com essa análise em forma de texto, eu vou citando os personagens que eu lembro e que tem relevância dentro dessa análise, pra sustentar o ponto, lógico que Cady e Regina George ficarão por ultimo porque a análise sobre elas são as mais importantes.

Gretchen: As vezes a gente nem percebe o quanto é opressor e confunde qualquer opinião contrária com recalque ou inveja.

E dentro disso tudo a gente passa a não perceber o quanto é oprimido também dentro desse próprio sistema. Criticar se torna algo tão fora de cogitação porque a gente nem lembra que tem voz dentro de uma situação dessas.

Janis e Damian: Eles dois são a prova de que não adianta nada criticar um sistema e não tentar mudar. As vezes, ser vocal sobre os assuntos, faz com que a gente comece a mudar o contexto ao nosso redor.

Mas também coloca a gente em uma posição escrota e percebe que o mal presente na gente pode ser tão grande quanto o mal presente no outro.

Srta. Norbury: Ela é a prova de que a passividade pode ser problemática frente a situações como essa. Estando em uma situação como essa, somos todos responsáveis, assistir reproduções sem se intrometer é compactuar com isso, assistir opressões sem mostrar o quanto isso é errado, é compactuar com isso.

Ninguém deve passar pano em atitudes erradas, se a gente luta por um mundo onde as pessoas não tenham que enfrentar esse tipo de problema, cabe a nós não deixar isso passar batido. É necessário falar, dar bronca mesmo correndo o risco de não ser ouvido.

Cady: talvez um dos personagens mais complexos do filme, pelo simples fato de que ela sai de uma ponta dessa escala citada no texto e vai de encontro ao total oposto. A Cady buscava quebrar esse sistema, mostrando pra grande vilã do filme o quanto o comportamento dela era nocivo para as pessoas que estavam a sua volta.

Ela assume um papel do oprimido que se tornou opressor, e esse é um dos erros mais comuns dentro de um convívio em sociedade, a gente se esquece das batalhas e dificuldades vividas passa a reproduzir os mesmos preconceitos que nos afetaram a vida toda. O mais controverso de tudo isso é que talvez a Cady tenha sido, junto com Regina George, uma das piores pessoas do filme, justamente por sucumbir.

Regina George: ou melhor dizendo, privilégios. Quando uma pessoa não se enquadra em nenhuma minoria, ela é incapaz de entender onde entram os privilégios dela, por isso oprime sem dó todas as pessoas que não estão numa mesma escala que a dela. Isso gera poder, isso gera intimidação, isso gera silenciamento (Karen e Gretchen aparecem justamente pra mostrar o quanto o silenciamento funciona).

A segregação clara através do “You Can’t Sit With Us”, só deixa claro que são bem vindas as pessoas que fazem parte dessa mesma bolha. É através dessa bolha que a gente deixa de pensar por si só e passa a reproduzir pensamentos que não são nossos. Ela é a prova de que quanto mais consciente dos seus privilégios, melhor sua vida em sociedade, visto isso da mudança nela, no final do filme, onde ela entendeu muito bem o papel dela enquanto pessoa.

Usar de privilégios para oprimir pessoas é um dos pontos mais colocados ao longo do filme inteiro, pelo simples fato de que uma personagem: loira, branca, magra e rica foi capaz de oprimir toda uma escola, incluindo professores.

Todos nós somos preconceituosos, todos nós temos questões internas que só precisam de um momento pra se manifestar. As vezes, não há a intenção de machucar e ofender, mas isso não quer dizer que o preconceito esteja embutido ali, entende?

Muitas foram as análises feitas sobre o filme, virou até musical, mas acho que o maior legado que o filme deixa é o clássico: não seja filha da puta. Cada um tem uma jornada pesada e particular, até mesmo as pessoas que detém mais privilégios dos que as outras, então, o que a gente puder fazer pra tornar a vida em sociedade melhor, é bom que a gente faça. Senão corre o risco de se comportar de maneira vil e egoísta tal qual as adolescentes presentes no filme.

Caco Baptista A.

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