Humor do mercado de livros brasileiro

Carolina Vidal e Daniela Fiscarelli

O mercado editorial brasileiro está mudando cada vez mais, mesmo com uma média baixa de leitores, se comparado com outros países. No Brasil, esse número está em torno de 4 livros por ano, enquanto que na França, por exemplo, a média é de 15 livros lidos anualmente. Entre os dois países há uma diferença de mais de 10 livros.

Em uma pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro em 2011, houve uma diminuição da leitura no Brasil. Nela consta que 45% dos brasileiros leem um exemplar a cada três meses. Ainda que esse número tenha diminuído, os atuais leitores afirmam estar lendo mais.

Atualmente, as mulheres são maioria entre as pessoas com o hábito de ler pelo menos um livro a cada três meses (57%), e as faixas etárias que mais reúnem pessoas com o hábito de leitura estão entre 30 e 39 anos (16% do total), 5 e 10 anos (14%) e 18 e 24 anos (14%).

Existem mais de 500 editoras atuando no Brasil, porém esse número não significa que isso esteja se tornando uma boa fonte de renda para o país. O mercado editorial encolheu 5,16% e está rumando para a recessão, segundo a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

De acordo com a pesquisa publicada em junho de 2015 pela Fipe, o crescimento real em 2014, ano base do levantamento, foi negativo: 5,16% menor do que em 2013. A última queda havia sido registrada em 2012.

O que salvou o mercado em 2014 foram os livros didáticos e não houve, no segmento de obras gerais, nenhum título que representasse 5% ou 10% do mercado. Ainda sim, o faturamento das editoras aumentou em torno de 900 milhões nos últimos 5 anos, como mostra o gráfico de faturamento.

As livrarias e seus respectivos sites são responsáveis por 60% das vendas. As distribuidoras aparecem na sequência com 21,1%, porta a porta 5,38%, supermercado 1,62%, escolas 1,61%, igrejas e templos 1,43%, exportações 1,42% e marketing direto 1,19%. Há, ainda, outros canais, como empresas, bancas, site da editora, bibliotecas privadas e venda conjunta com jornal, mas com valores inferiores a 1%.

De acordo com o gráfico sobre produção e vendas do setor editorial brasileiro, a produção de livros entre 2010 e 2014 aumentou em nove milhões de volumes, já a venda variou entre os anos, sendo 2013 o ano com melhor saldo, sendo mais de 470 milhões de exemplares vendidos.

Mesmo com essa “variação de humor” do mercado, a pesquisa do Instituto Pró-Livro mostrou que o brasileiro está otimista, já que 49% afirmou que lê mais que no ano passado, 28% admitiu que vem perdendo este costume e os outros 20% disseram que não aumentaram nem diminuíram o hábito de ler livros, jornais, revistas ou textos na internet.