ano novo

ela tinha muitas dúvidas. eu também. mais do que ela, talvez. 
mas eu não falava. eu sorria. 
a clareza do privilégio falava mais alto. 
a vontade de sorrir gritava. entre o sorriso, ela gritava. 
a gente gritava. 
entre a vontade. 
gritava. 
a clareza do privilégio falava mais alto. 
não havia dúvida maior do que a vontade de sorrir. 
olhando a nossa dúvida. que se misturava. 
olhando nossas inseguranças. que se abraçavam.

não há caos. 
não há dor. 
não há motivos para duvidar. 
quando navego no mar dela.

não há hora que me desperte. 
não há incêndio que me desespere. 
não há jogo que me governe. 
quando só eu. e ela.

minhas mãos doem. 
desaprendi a escrever sobre isso. 
desaprendi a falar sobre isso. 
desaprendi.

mas ela é didática. 
até no que não domina. 
me faz acreditar até naquilo que não tem certeza. 
me faz rebobinar a fita guardada na alma. 
o filme passa de trás pra frente
e me faz lembrar daquilo
reciprocidade.

nada tem que ser como sempre foi 
disso eu tenho certeza 
quando navego nas mãos dela 
e sinto que podemos fazer 
tudo 
como se tudo 
nunca tivesse sido feito

nem café
poesia
ou música

nada me faz falta
quando navego nos lábios dela

meu único vício 
(além de repetir frases) 
meu único vício 
é lembrar pra ela 
que acima de qualquer confusão 
que habita nossa cabeça

eu sou muito feliz de estar aqui 
com ela.

hoje o filme passa de trás pra frente
e me faz lembrar daquilo
amor.

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