“Incoerente, mas funcional.”

Existe um termo em francês: “la douleur exquise”, que, se não me falha a memória - posso estar extremamente enganado - é a dor intensa de se querer alguém que não se pode ter.

Não irei entrar em discussão com o significado do verbo “ter”, ou se essas palavras juntas em francês são apenas uma invenção, um “tumblerismo”, de uma expressão inexistente. A língua é uma grande armadilha de significações e ressignificações, e não vale o esforço nem a ousadia me aprofundar no tema aqui neste texto pífio deste jovem autor totalmente ignorante quanto aos estudos da linguagem, que mais divaga do que escreve.


Entre indas e vindas, me pegava sentindo essa tal dor ao falar com elas.

- Sim, obviamente existiram “elas” em minha breve história, que talvez venham a tona em outros textos, ou… nunca. -

Assim, ponderava… ou melhor: pondero que, é através da dor que transcendemos. Talvez não há nada além da dor, talvez não sabemos sentir ou causar nada além de dor. Talvez, talvez, talvez…

Se fui realmente feliz quando ouvi tantas vezes a frase “Eu te amo”, ou se essa felicidade era apenas uma dor que temos prazer de sentir, eu não sei. No fim de contas, as duas sensações se confundem em outras áreas da vida. No sexo por exemplo. Por que não aqui?

Diante disso, ao levar em consideração o conceito de felicidade criado pelo coletivo social, me pergunto se serei algum dia verdadeiramente feliz. Será possível ser feliz? Ou tudo irá acabar em lágrimas, um campo de trigo, e uma frase de alguém que já desistiu, como foi com Van Gogh e tantos outros?


“La tristesse durera toujours.” - disse o homem que teve de sua vida uma sucessão de falhas: falhou em conseguir reconhecimento, falhou em controlar seus demônios, falhou no amor… falhou em se conformar com a imoralidade de um mundo naturalmente imoral.

Uma verdadeira comédia de erros, que não poderia acabar de outro jeito a não ser com uma falha: o tiro que deu no próprio abdômen atrás de um palheiro o matou apenas dois dias depois, com a bala alojada em algum lugar entre seu estômago e coração.

O fato que mais me intriga é que levantou-se e dirigiu-se ao seu quarto no sótão, caindo e forçando-se a se levantar inúmeras vezes até chegar em sua cama onde não contou a ninguém sobre seu ferimento. Por vergonha, quem sabe?

Eventualmente, foi achado por seu hospedeiro e morreu ao lado de seu irmão, que chegou a tempo para o ver ainda vivo. Um último ataque epilético, um último adeus.


Por que levantar-se? Por que não morrer ali mesmo no palheiro? A visão da morte teria feito um homem em seu profundo desalento mudar de ideia, ou foi apenas uma mera realização de que a tristeza, sim, durará para sempre, porém a felicidade não era necessária para se estar vivo, logo podia-se ainda tentar viver?

Talvez, nem sempre quis que fosse assim. Mudou seu plano durante o ato, e disse a si mesmo esse ser o certo desde o começo, para que finalmente não falhasse em algo.

Quanto a mim, continuo por aqui. Como alguém que também falhou, e continua falhando… Principalmente em desistir.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.