Afinal, qual é o melhor posicionamento para Pato?

De o “Novo Careca” em 2006, para Alexandre Pato ser uma aposta de risco para o Chelsea em 2016. O que teria acontecido com ele durante estes 10 anos de carreira? Como aqui a intenção do texto não é abordar o extra-campo e nem os motivos das lesões desse jogador, a perseguição do texto será responder ao título da publicação: afinal, qual é o melhor posicionamento para Alexandre Pato?

Após dez anos de ter aparecido para o futebol, o que esperar de Alexandre Pato no Chelsea?

Antes de começar a procurar indícios de qual é a posição em campo que Alexandre Pato rende mais, é necessário salientar de que a intensidade nunca foi uma das principais virtudes do jogador. Desde seu jogo de estreia nos profissionais diante do Palmeiras até a sua conturbada passagem pelo Corinthians, Pato nunca realizou com velocidade e máxima concentração às demandas de um jogo todo. Assim sendo, essa é uma característica do jogador.

Fora essa situação da falta de intensidade, é possível buscar onde Alexandre Pato rende mais em campo. Para tal, será buscado a sua posição, o posicionamento inicial e a função os quais ele já rendeu mais em sua carreira. Para entender mais sobre as diferenças desses termos, veja esses textos: posição x posicionamento inicial e posicionamento inicial x função .

Durante toda a sua breve e brilhante passagem pelos profissionais do Internacional, Alexandre Pato foi tratado como atacante (sua posição). Além disso, ele formava dupla de ataque com Iarley no 4–3–1–2 colorado que venceu o Barcelona na final do Mundial de Clubes de 2006. Assim sendo, o seu posicionamento inicial era de atacante também.

Na final do Mundial, Pato formava dupla com Iarley.

É inegável que a sua breve passagem pelos profissionais do Internacional encantou o Brasil todo. Tanto em sua estreia contra o Palmeiras quanto na final do Mundial contra o Barcelona, Alexandre Pato gostava se de movimentar lateralmente no vão entre algum zagueiro e lateral para receber a bola em progressão. E foi assim que ele chamou a atenção do país todo!

Em sua estreia, veja para onde Alexandre Pato está se movimentando, já que Iarley atraiu a atenção do zagueiro que o marcava.
Já no Mundial de Clubes, veja já onde está Alexandre Pato: no mesmo vão que ele estava se movimentando na imagem anterior: no vão zagueiro-lateral.

Antes de continuar, uma breve explicação sobre vão é importante. Vão é o espaço entre dois obejtos sólidas. Assim sendo, no futebol, um vão pode aparecer em quaisquer dois jogadores, sendo esses se relacionando em uma direção vertical, como um extremo e o lateral; ou em relação horizontal, como um zagueiro e lateral.

Na imagem, os vãos exemplificados acima: o quadrado vermelho é o vão vertical entre lateral e extremo, e o azul, entre o lateral e zagueiro.

Desse modo, o vão mais procurado por Alexandre Pato durante a sua passagem pelos profissionais do Internacional foi o azul, tanto entre o zagueiro da esquerda e o lateral-esquerdo, quanto o do zagueiro da direita com o lateral-direito.

Agora voltando para a intenção da publicação e continuando a análise da carreira de Alexandre Pato em campo. Após sair do Internacional, Pato foi para o Milan. Em sua temporada de estreia, ele pouco jogou (20 jogos), mas mesmo assim realizou nove gols (média 0,45).

Já nas suas três temporadas seguintes no time russonero, Alexandre Pato jogou várias partidas (105) e fez 48 gols (média 0,457). Apesar das médias serem parecidas, a qualidade de jogo que Alexandre Pato apresentou nas temporadas 2008/09, 2009/10 e 2010/11 foi maior. Nessas três temporadas, Alexandre Pato prioritariamente atuou ao lado de outro atacante no 4–3–1–2 do Milan.

Na temporada 2008/09, Pato jogou ao lado de Ronaldinho Gaúcho.
Na temporada 2009/10, Alexandre Pato jogou ao lado de Huntelaar, e “por um acaso” foi a temporada a qual ele jogou menos jogos (30) e fez menos gols (14).
Já na temporada 2010/11, o seu companheiro de ataque foi Ibraihmovic.

Ou seja, nas três melhores temporadas de Alexandre Pato no Milan, ele teve como posicionamento inicial a de um atacante. Mas por que ele fez tantos gols assim? Porque ele atuou com a mesma função que fazia no Internacional: Pato jogou a função de “9 móvel” (saiba mais dessa função neste texto). Ele continuou a se mover lateralmente e, assim como foi colocado entre aspas na descrição da temporada 2009/10, Alexandre Pato foi pior nela porque Huntelaar não permitia com que Pato pudesse somente realizar todo o movimento da função de “9 móvel”. Tirando assim a melhor situação para o jogador brasileiro.

Veja o que Ronaldinho Gaúcho está fazendo com o seu posicionamento, e onde Alexandre Pato está posicionado e querendo se projetar: o melhor cenário para Pato.
Já com Huntelaar, Pato se movimentava lateralmente e centralizava, mas era facilmente marcado porque Huntelaar não saía da linha defensiva adversária.
Agora em 2010/11, veja onde Ibraihmovic recua para jogar e onde Alexandre Pato está se projetando. Com o posicionamento e a função adequados, Pato voltou a fazer muitos gols no Milan.

Após a temporada de 2010/11, Alexandre Pato passou a conviver com as lesões, falta de sequência e o seu pouco aproveitamento em campo. Tanto que acumulou 15 partidas e seis gols nas duas temporadas seguintes.

Depois da sua passagem pelo Milan, Alexandre Pato foi contratado pelo Corinthians em 2013. No Timão de Tite, Pato jogou na referência de um 4–2–3–1 e ao lado de Guerrero em um 4–4–2. Como em ambas as situações, ele não tinha um jogar que recuasse para atrair a atenção de algum zagueiro para que Alexandre Pato fosse ao vão daquele zagueiro e de um lateral, a nova contratação corintiana não conseguiu render o que se esperava dele.

Um dos exemplos onde Alexandre Pato na referência do 4–2–3–1 de Tite.

Como Tite não encontrava algum jeito para que Alexandre Pato rendesse em campo e depois da maneira como o jogador cobrou o pênalti decisivo contra o Grêmio, nas oitavas de final da Copa do Brasil de 2013, Pato passou a não ter mais ambiente internamente e nem externamente no meio corintiano. Ele foi para o São Paulo em 2014.

Demorou também a decolar no Morumbi, mas nas mãos de Muricy Ramalho, Alexandre Pato passou a viver outra boa fase em sua carreira. Em 2014, Pato voltou a ter um companheiro de ataque ao seu lado que gostava de recuar para jogar: o nome dele era Alan Kardec.

No 4–4–2 do São Paulo de 2014, Alexandre Pato voltou a ter um companheiro ao seu lado que gostava de recuar para jogar.
Assim sendo, as suas movimentações laterais buscando o vão entre um zagueiro e lateral passaram a ser usufruído novamente, como acima.

Chegou 2015 e o 4–4–2 se desfez. Alexandre Pato voltou a viver de lampejos, mas só voltou a ter uma boa fase com a chegada de Juan Carlos Osório. Com o técnico colombiano, Pato passou a jogar em um posicionamento inicial que atuou algumas vezes no Milan: a extrema esquerda.

Sim, Pato viveu o seu melhor ano em termos de números de jogos e de gols, foram 59 e 26 respectivamente, mas com um alento: Juan Osório fazia com que Alexandre Pato não recuasse tanto e de que nem realizasse o balanço defensivo para o lado da bola. Já que ao atuar fora do sua posição, as adequações seriam necessárias.

Veja o 4–2–3–1 no começo da passagem de Osório e com Pato na extrema esquerda.
Já aqui, a adaptação que Osório realizou para ter Alexandre Pato fora da sua posição.

Enfim, chegamos em 2016 e Alexandre Pato está indo para o Chelsea. Após analisarmos a carreira toda em campo de Alexandre Pato, notamos que ele rendeu muito mais e sem nenhuma adaptação onde havia um companheiro ao seu lado e com função de recuar para jogar. Já que dessa maneira, Pato conseguiu se movimentar lateralmente e buscar algum vão entre zagueiro e lateral como sempre fez desde o início da sua carreira.

Assim sendo, eu imagino só Fabregas improvisado no posicionamento inicial como atacante (assim como já fez no Barcelona) recuando para jogar para abrir espaço para as movimentações laterais de Alexandre Pato. Já que as outras opções de atacante, como Diego Costa e Falcao Garcia, não realizam o movimento que Pato precisa para render muito. Se Pato voltar a jogar como referência em um 4–2–3–1 ou ao lado de Diego Costa, temos grandes chances de vermos o que aconteceu com ele em campo durante a sua passagem pelo Corinthians em 2013.

Possibilidades para potencializar o jogo de Alexandre Pato no Chelsea: só com o improviso de Fabregas como atacante (situação 2).

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