Conheça Otávio, um dos ótimos atuais volantes do futebol brasileiro
Com a oficialização da saída de Otávio para o Bordeux da França, o futebol brasileiro perderá uma das suas grandes promessas. O ex-camisa 7 do Furacão fará falta nos gramados brasileiros. Mas por que afinal um volante fará tanta falta assim e arranca elogios pelo seu futebol em campo de tudo quanto é comentarista e analista de futebol? O que Otávio faz tanto em campo assim?

Desde que estreou profissionalmente com a camisa atleticana, Otávio já começou a chamar a atenção pelo seu futebol. Tanto que ele começou o ano de 2013 no “time B” do Furacão que estava disputando o Campeonato Paranaense naquele ano e já subiu para a equipe principal logo após o término do campeonato estadual.
Por ter sido meia em boa parte da sua categoria de base, Otávio já chamava a atenção pela sua técnica com a bola no pé. Esse jogador já apresentava duas de suas características bem forte: acertava muitos e diferentes tipos de passes (curto, médio, longo, pelo alto e virando o jogo) e, também, tinha uma ótima leitura do espaço para onde atacar.
Diante de tantas qualidades ofensivas e por ser volante, Otávio, logo de cara, era escalado ou ao lado de um volante que não saía tanto (caso da 1ª imagem abaixo), na época, Deivid era o jogador titular com essas características, ou à frente de um volante formando uma trinca à frente da linha defensiva (como é o caso da 2ª imagem abaixo).


Depois de um 2014 sofrendo com as constantes trocas de técnicos do Atlético-PR, 2015 foi o ano da afirmação de Otávio no elenco atleticano. Em 2015, o técnico Milton Mendes chegou no Furacão e teve um início avassalador no clube, e muita dessa arrancada se deve por ele ter achado a função a qual Otávio desempenharia um rendimento muito grande: a de volante construtor.
Um volante construtor é aquele volante que procura ser sempre a primeira opção de passe curto na saída de bola de seus defensores, que muitas vezes faz a bola chegar limpa para os seus meias, que procura ser opção de retorno quando o seu time chega ao campo ofensivo, que procura tira da pressão adversária e/ou virar o jogo para que a sua equipe avance campo com mais facilidade. Diante de tanta técnica com a bola no pé e sabendo achar os espaços vazios, agora também em campo defensivo, Otávio teve um crescimento enorme em seu futebol.








Ao atuar como o volante que fica muitas vezes, Otávio passou a demonstrar habilidades defensivas que anteriormente não ficavam em tanta evidência assim quando jogava. Uma dessas habilidades foi o desarme. Em 2015, esse volante passou a ganhar muitos duelos individuais e a desarmar muitos adversários. O símbolo dessa sua época foi uma partida contra o Corinthians na qual Otávio realizou 11 desarmes!

Além dos desarmes, Otávio começou a apresentar maior consciência tática defensiva. Tanto que foi nessa época que esse jogador realizava movimentos defensivos em conjunto com a sua equipe, como os casos dos flagrantes abaixo: no 1°, Otávio se mantém onde está para que ele e Hernani fechem algumas linhas de passes do jogador adversário que havia recuperado a bola; no 2°, Otávio flutua junto com a bola e fecha a linha de passe para o adversário número 4 da imagem e, assim, marca por zona do mesmo modo que todo o restante do time; e, por fim, no 3°, Otávio sobe junto com Hernani, pois o Atlético-PR estava subindo a marcação. Tudo ação defensiva que anteriormente Otávio não apresentava com tanta eficiência.



Após um 2015 num crescente de compreensão de jogo muito boa, o ano de 2016 de Otávio de afirmação na nova função. Com o tempo, esse volante foi apresentando ainda mais desenvolvimento noções táticas. Tendo destaque em: a de entrar na linha defensiva quando um dos seus laterais abrem para marcar e a de alternar subida com o outro volante da sua equipe. Otávio estava se tornando cada vez mais completo para a função de sua posição.


No início de 2017, Otávio passou a apresentar uma noção tática muito boa. Como o time já estava habituado ao atuar no 4–2–3–1, quando a equipe adversária contra-atacava rapidamente, Otávio passava a ocupar um posicionamento que não era o dele e, assim, retardando o contra-ataque adversário e dando mais tempo para que o Atlético-PR voltasse.

Em 2017, Otávio já era titular absoluto na posição e teve um dos seus testes finais: como jogar como volante em um 4–1–4–1? Até então, Otávio atuava muitas mais vezes como um dos volantes de um 4–2–3–1, mas nas mãos de Eduardo Baptista, esse jogador teve que se adaptar ao novo posicionamento.
Essa adaptação de posicionamento pode parecer bem pouca, mas Otávio sentiu logo de início. Agora como único volante, o camisa 7 atleticano passou a mal subir para o ataque e tinha que cobrir com mais rapidez a subida de marcação dos seus dois laterais. Essa segunda parte, Otávio não realizava com constância no início do trabalho de Eduardo Baptista.


Enfim, o jogador que se desenvolveu muito desde a sua estreia no profissional do Atlético-PR está saindo para o Bordeaux. A noção tática, a leitura de jogo, o seu achar de espaços vazios e a sua técnica com a bola no pé farão falta nos gramados brasileiros, Otávio.
