Ei, o jogador do outro lado está livre. Ou não está? (flutuação defensiva)

Nesses últimos anos do futebol brasileiro, vimos muitos times jogarem no 4–2–3–1 e, mais recentemente, no 4–1–4–1. E ao voltarmos a ter dois jogadores abertos próximos ao centroavante da equipe, voltamos a remetê-los como “pontas”, assim como foi na década de 70/80. Assim sendo, a função defensiva desses jogadores abertos do 4–2–3–1 e do 4–1–4–1 é só marcar o lateral adversário, certo? Se você pensou que sim, então como essas equipes formariam a linha de 4 do meio-de-campo se um dos laterais adversários não subirem ao ataque? Pois é, há algo.

No exemplo acima, em 2015, Marcos Guilherme, o extremo direito do Atlético-PR, ficou marcando o lateral esquerdo do Corinthians. Como o Furacão irá formar a linha de 4 à frente da linha defensiva assim?

Por ser o primeiro texto sobre um aspecto defensivo, irei começar por uma movimentação defensiva básica que qualquer equipe realiza em ação defensiva, que é justamente o que Marcos Guilherme não está fazendo no flagrante acima: o balanço defensivo. Mas o que é isso? Para que ele serve? E qual a sua consequência prática? Esta publicação irá responder cada uma dessas perguntas. Porém antes de responder a primeira pergunta, irei mostrar que há duas linhas de raciocínio para esse termo.

Uma delas é de que o balanço defensivo está relacionado com o movimento defensivo dos jogadores que não estão atacando de um time. Já que quando uma equipe ataca, há jogadores que não estão fazendo parte do sistema ofensivo. Assim, sendo para alguns, esse movimento dos jogadores que não atacaram é o balanço defensivo.

Nessa imagem, quem estaria fazendo o balanceamento defensivo seriam os jogadores que estão no quadrado preto hachurado: os dois zagueiros e o lateral-esquerdo.

No entanto não vai ser essa linha raciocínio que irei seguir nesta publicação. Já que assim como já falei neste texto, o movimento para o lado da bola dos jogadores os quais não estão participando ativamente da ação ofensiva do time é o suporte ofensivo.

Desse modo, a linha de raciocínio a qual irei abordar é de que o balanço defensivo (seus sinônimos são flutuação defensiva e basculação defensiva) é o movimento defensivo e lateral que os jogadores realizam para o lado da bola. Esse movimento aconteceria naturalmente e foi batizado como “balanceamento defensivo”. Veja o porquê de que ele iria se realizar “naturalmente”:

Imagine uma equipe jogando no 4–3–1–2 de antigamente (há a versão “atual” desse esquema e ela foi destrinchada aqui). Viu como há espaços laterais onde não há nenhum jogador inicialmente posicionado? Sim, há espaços laterais entre as laterais e os atacantes e os interiores (retângulos amarelos adiante). E para ser ainda mais extremista, há também um pequeno espaço lateral entre a lateral e os laterais da linha defensiva (retângulos vermelhos à frente), certo?

Eis os espaços laterais anteriormente citados.

Ao natural, pois há a necessidade de pressionar o adversário que está nessas regiões anteriormente mostradas, o jogador da equipe que está defendendo se movimenta para tal região. Ao realizar esse movimento, ele acabou de fazer o balanceamento defensivo. Agora, e se um jogador realizar esse movimento? Veja o que acontece:

Aqui somente o lateral-direito realizou o balanço defensivo. Resultado: apareceu outro retângulo vermelho em outro lugar. Agora complicou a coisa.

Na verdade, não complicou tanto assim. Voltando à definição de balanço defensivo desta publicação, já temos a resposta. O balanço defensivo é o movimento defensivo e lateral que os jogadores realizam para o lado da bola. Viu que há a palavra jogadores? Pois é, isso é um movimento em conjunto.

Assim sendo, para que o balanço defensivo seja realizado por completo, todos os jogadores devem realizar tal movimento defensivo e lateral. Sim, todos! Claro que haverá jogadores que estarão participando ativamente para retirar a bola do adversário e por isso devem realizar o balanço defensivo mais rapidamente possível, e há outros que irão realizar este balanço e farão parte do sistema defensivo indiretamente.

Aqui, Messi está participando ativamente da retirada da bola do adversário, enquanto que Suareaz e Neymar estão marcando as linhas de passes lateral do adversário e Rakitic, Mascherano e Iniesta, as linhas de passes à frente.

Viu como facilita o sistema defensivo como um todo se todos os jogadores realizarem o balanceamento defensivo? Agora voltando à primeira imagem desta publicação: Marcos Guilherme deixou de realizar o balanço defensivo. Com isso, Cléo, o atacante do time, acabou tendo que recuar e auxiliar o Atlético-PR defensivamente.

Assim como já foi visto no texto sobre o 4–1–4–1 e o 4–3–3, os esquemas 4–2–3–1 e 4–1–4–1 são oriundos do 4–4–2. Dessa forma, o 4–2–3–1 e o 4–1–4–1 procuram a formar uma linha de 4 à frente da linha defensiva. Assim sendo, um 4–2–3–1, como é o caso da primeira imagem dessa postagem, deveria se defender com duas linhas de 4, assim como o mesmo Marcos Guilherme está fazendo em 2016:

Em 2016, Marcos Guilherme está realizando o balanço defensivo e ajudando o sistema defensivo do Furacão.

Agora, para responder a última pergunta inicial, voltemos a imaginar uma equipe sendo atacada pela direita. E da maneira que foi mostrado aqui, todos os jogadores realizarão o balanço defensivo. Veja a consequência desse movimento em conjunto:

Com todos os jogadores realizando o balanço defensivo, veja onde o retângulo vermelho foi parar: no lado oposto do da bola!

Pois é. Assim como qualquer escolha por um aspecto tático, há um lado positivo e outro, negativo. Para o balanço defensivo não seria diferente. Se todos os jogadores realizarem o balanço defensivo, o lado oposto do da bola passa a ficar livre. No entanto, se caso o sistema defensivo que realizou o balanço defensivo seja ativo (realmente pressione o adversário com a bola), as chances de retomada da bola, após todos realizarem o balanço defensivo também, são grandes, pois o portador da bola não tem opções próximas a ele tão livres. Devido a isso, deixar o lado oposto livre (retângulo vermelho acima) não é tão preocupante assim.

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