Leicester x Liverpool, o jogo conceitual pela disputa por espaço

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A partida entre Leicester e Liverpool válida pela 26ª rodada da Premier League foi um exemplo do que é a briga por espaço no futebol atual. Cada equipe jogou dentro do seu modelo de jogo, mas ambas duelavam pelo mesmo intuito: o espaço em campo!

O Liverpool de Jurgen Klopp perdeu o jogo por 3 x 1, mas o técnico alemão até o último minuto lutou pelos espaços em campo.

Atualmente no futebol, o intuito das equipes que estão sem a bola é diminuir o espaço útil de jogo do time adversário. Para tal, mecanismos táticos como a atração do time adversário, a indução do ataque adversário para um dos lados do campo, o fechamento das linhas de passes do portador da bola e a geração de superioridade numérica no setor da bola estão sendo muito usados.

Enquanto a intenção dos sistemas defensivos atualmente é diminuir o espaço útil de jogo do time adversário, a intenção dos sistemas ofensivos de hoje em dia é aumentar. Para aumentar, mecanismos táticos como retirada da pressão do adversário e virada de jogo (para saber mais sobre esses mecanismos ofensivos, clique aqui!) são comumente utilizados, pois “clareia-se” o jogo.

Como há essa disputa de intenções, a equipe que conseguir evitar com que o time adversário realize menos vezes possíveis a sua intenção (seja aumentar ou diminuir o tamanho útil do campo) normalmente controla a partida, pois não deixa o time adversário jogar. E isso aconteceu no jogo entre Leicester e Liverpool pela 26ª rodada da Premier League.

O técnico temporário do Leicester, Craig Shakespeare, diante do modelo de jogo da equipe é dar a posse da bola pro adversário e contra-atacar com velocidade e sendo eficiente, não deixou o Liverpool de Jurgen Klopp aumentar o campo útil de jogo ao não permitir com que o volante do 4–3–3 dos Reds no jogo, o alemão Emre Can, jogasse.

Tamanha era a intenção de Can não jogar que o Leicester deixava o Liverpool avançar em seu campo defensivo por um dos lados. Mas deixava mesmo?

Sim! O Leicester deixava o Liverpool avançar por um dos lados, mas era intencional esse movimento. Uma vez que o volante dos Reds estava sempre marcado (seja com alguém por perto ou com alguém fechando a linha de passe para ele), os jogadores do Liverpool não conseguiam fazer com a bola saísse do lado, pois não dava tempo de retirar a bola do setor ou realizar alguma virada de jogo, já que os jogadores do Leicester diminuíam o seu espaço de jogo útil. Ou seja, as jogadas dos Reds começavam e morriam do mesmo lado!

Após ter visto que o seu time não conseguia aumentar o campo o tamanho de campo útil no primeiro tempo, Jurgen Klopp, para a segunda etapa da partida, mudou os seus jogadores de posicionamento, mas sem realizar substituição. Esse técnico alemão alterou a sua equipe para passar a ter um jogador para poder fazer retiradas do setor e viradas de jogo nos dois lados do campo.

O Liverpool começou a partida assim contra o Leicester.
E começou o segundo tempo do jogo assim. Veja como Klopp alterou os jogadores de posicionamento, mas não realizou nenhuma substituição para tal.
Passando a ter Wijnaldum como volante, o marcador adversário que ficaria nele não conseguiria evitar com que aos seus lados fossem também marcados. Para manter a pressão no jogador da bola, o sistema defensivo do Leicester desalinhava um dos volantes para pressionar o portador da bola, assim como mostra a imagem acima. Do outro lado, Matip realizava o mesmo que Can pelo Liverpool.
Em termos genéricos, Klopp passou a procurar os espaços nos lados do meia central adversário para que, então, conseguisse retirar a bola do setor, virasse o jogo ou, quando a bola era passada com velocidade, achasse uma brecha para achar um passe na vertical: era a disputa por espaço!

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Como Craig Shakespeare, o técnico interino do Leicester, percebeu essa situação que Klopp havia feito, ele “largou” mão de realizar uma marcação especial somente no volante adversário e passou a marcar melhor todo o espaço à frente da linha de 4 do Leicester. Para tal, os Foxes passaram a jogar num 4–1–4–1 onde o volante tapava rapidamente a lacuna na linha de 4 do meio que um meia subia para realizar a pressão na bola do Liverpool.

O 4–1–4–1 que o Leicester passou a jogar era nítido e tinha intenção: marcar melhor o espaço.

Diante de um 4–1–4–1 marcando muito bem os espaços à frente da linha de 4 do Leicester, Jurgen Klopp manteve a procura por espaço em campo através das entradas de Origi e Moreno. Com esses jogadores em campo, o Liverpool passou a jogar num 3–1–4–2, a ocupar melhor o espaço à frente da linha de 4 do meio dos Foxes e, ainda, a ter dois atacantes para bater de frente com os dois zagueiros do time adversário.

Com os jogadores melhor distribuídos à frente da linha de 4 do meio do Leicester, o Liverpool passou a ter mais chances de achar um momento para realizar um passe na vertical para os seus atacantes.
E ao ter dois atacantes, os dois zagueiros do Leicester tinham dificuldades em marcar as bolas enfiadas para Firmino e Origi.

Apesar de tantas mudanças nos esquemas de jogo de ambas as equipes, nenhuma das duas modificaram os seus modelos de jogo. Tanto Leicester quanto o Liverpool continuaram a disputa por espaço no campo, cada um à sua maneira. No entanto, o sistema defensivo e os contra-ataques dos Foxes foram mais eficientes do que o sistema ofensivo e a transição defensiva dos Reds, e o placar terminou Leicester 3 x 1 Liverpool.

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