O que é ataque posicional?

Em julho deste ano, chegou ao Brasil o livro “Guardiola Confidencial” de Josep Guardiola. Nele, além do técnico confidenciar detalhes da sua primeira temporada no Bayern de Munique, ele nos trouxe de um termo de jogo, até então, inédito para os ouvidos brasileiros: o ataque posicional.

Com o seguinte trecho desse livro, podemos entender o que seria esse termo:

Foto da página do livro “Guardiola Confidencial” sobre ataque posicional (Reprodução do twitter do blog do Carlão).

Diante dessa definição dada pelo próprio Guardiola, temos que para realizar um ataque posicional, cada jogador, em ação ofensiva, teria que realizar uma função ofensiva em prol da sua equipe. Desse modo, haveria jogadores que estariam atuando ativamente, outros em um futuro próximo e outros agindo de forma indireta.

De forma mais próxima do conhecimento brasileiro, temos que um time quando ataca deve sempre procurar apresentar: amplitude ofensiva, profundidade ofensiva, jogo na entrelinha adversária, formações de triângulo de passe, opções para retorno e suporte ofensivo. Como são diversos aspectos, a movimentação inteligente dos jogadores é essencial para tal.

De forma a facilitar o entendimento, apresentarei duas imagens: uma do Bayern de Pep Guardiola e outra do Atlético-PR da época do comando de Milton Mendes.

O time do “criador” do termo ataque posicional apresentando os aspectos de um ataque posicional (Imagem: Painel Tático).
Apesar de parecer coisa de outro mundo, alguns times brasileiros já apresentaram esse tal “ataque posicional”, como foi o caso do Furacão de Milton Mendes em 2015.

Além desse conceito de ataque posicional, Josep Guardiola também tem usado um princípio de jogo em prol desse conceito que ele formalizou: o da troca de posição de jogadores, mas mantendo as funções dela em todas as fases de jogo.

Difícil, não? Mas é bem fácil de explicar. Para facilitar a compreensão desse princípio, irei abordar dois esquemas táticos já conhecidos pelos brasileiros em ação ofensiva: o 4–2–3–1 e o 4–1–4–1.

Primeiramente, o 4–2–3–1. Veja que, ao realizar o balanço ofensivo natural do esquema, os jogadores passam a realizar os aspectos táticos procurados pelo ataque posicional de Guardiola:

Ao realizar o balanço ofensivo natural do esquema, o 4–2–3–1, em ação ofensiva, realiza os aspectos procurados pelo ataque posicional.

Pelo desenho, nota-se que: os jogadores com os traços vermelhos formam um triângulo de passe para o portador da bola, o jogador com um traço azul é a opção de retorno, os zagueiros formam o suporte ofensivo, os wingers geram amplitude ofensiva, o centroavante forma a profundidade ofensiva e o camisa 8 é o jogador tão caracterizado pelo trecho do livro inicialmente colocado aqui. Esse jogador é que está sozinho e será decisivo; e que suporta, fica esperando, fica de fora de ação aguardando o momento certo, e então poder fazer um três contra dois (no caso com o camisa 2 e 11). Sim, é ataque posicional.

Agora veremos, o 4–1–4–1 atacando pelo mesmo lado:

Aqui, o 4–1–4–1 atacando pelo mesmo lado que o 4–2–3–1 anteriormente fez.

Pela imagem, percebe-se as mesmas situações anteriormente descritas pelo balanço ofensivo do 4–2–3–1! No caso do 4–1–4–1, só mudou o nome da posição do camisa 8. O que antes era chamado de volante, agora, é um meia.

Podemos assim concluir que não importa qual esquema tático inicial que uma equipe utilize: o que importa mesmo é os jogadores realizarem as funções necessárias para cada fase que o jogo propicia. Não importando, assim, se um jogador é zagueiro de origem, mas se, durante a partida, ele estiver atacando e, por um acaso, for o único jogador aberto pela direita, ele terá que continuar aberto para formar a amplitude ofensiva.

E com essa última frase temos um exemplo para o princípio de jogo que Guardiola está utilizando em seu ataque posicional que anteriormente foi citado (o da troca de posição de jogadores, mas mantendo as funções dela em todas as fases de jogo).

Como esse texto é sobre o ataque posicional, veja o 2–3–5 tão exaltado por algumas pessoas (imagem adiante). E além desse posicionamento, repare também que esse 2–3–5 é nada menos do que o time posicionado após o balanceamento ofensivo, pois como Guardiola busca o ataque posicional, todos os jogadores irão realizar alguma função ofensiva e, taticamente, irão se posicionar mesmo nesse 2–3–5. E os jogadores estão sem número e nome porque diante do princípio anteriormente explicado, não importa quem ocupe a posição, mas, sim, que as funções do ataque posicional sejam realizadas.

Eis o 2–3–5 de Guardiola em ação ofensiva. Mas não é o mesmo posicionamento ofensivo do 4–2–3–1 e do 4–1–4–1?

Assim sendo, houve a desmistificação de que o esquema utilizado por Guardiola atualmente é o 2–3–5, pois esse posicionamento só é tomado pelo Bayern em ação ofensiva. Já nas outras fases do jogo (ação defensiva e transições defensiva e ofensiva), a equipe bávara se posiciona em outro esquema.

Além disso, pode-se notar, também, de que Guardiola formalizou em um termo todos os aspectos ofensivos procurados por qualquer esquema tático após o balanceamento ofensivo natural. O “ataque posicional” é o nome de batismo que reúne a amplitude e profundidade ofensiva; jogo entrelinha; opções de retorno; suporte ofensivo e constante formação de triângulo de passe para o portador da bola.