O que seria a função do jogador em campo?

Falso nove, lateral defensivo e volante construtor. Todos são termos que estamos ouvindo com certa frequência nas análises e comentários de jogos de futebol. No entanto, o que eles seriam? Não existia somente a função de lateral, zagueiro, volante, meia e atacante? O que são esses novos termos?

Crysan fazendo a função defensiva da referência do 4–2–3–1? O que é isso?

Para responder o que é função do jogador em campo, a compreensão do que é posição e posicionamento inicial é importante. Posição é o que o jogador responde o que ele é. Podendo ser assim lateral, zagueiro, volante, meia e atacante. Já posicionamento inicial é a região que o jogador ocupa na maioria das quatro fases do jogo. Assim sendo, um jogador pode ter uma posição e ocupar um posicionamento inicial diferente dela em campo. Certo? E onde entra a função do jogador nisso tudo?

Função é o papel que o jogador tem de fazer na fase do jogo que lhe é adequado. Notou o verbo fazer na definição de função, enquanto que na de posicionamento inicial é ocupar? Assim sendo, a função está relacionada a algo que o jogador faz em determinada ou em algumas fases do jogo, aparecendo assim, por exemplo, as funções citadas no início do texto: falso nove, lateral defensivo e volante construtor.

Na imagem, Otávio está sendo o registra (sinônimo de volante construtor) para o Atlético-PR de Milton Mendes.

A função é como se fosse um caixa de opções que cada posicionamento inicial apresenta. Já que cada posicionamento apresenta algumas funções para serem realizadas. Para quem joga ou já jogou o jogo Football Manager fica bem mais fácil de visualizar e diferenciar posicionamento inicial da função. No caso deste jogo, em todos os posicionamentos abre-se uma janela (como a da imagem abaixo) mostrando as possibilidades de função que cada posição pode exercer (lembra da caixa de opções citada no início desse parágrafo?).

No Football Manager, cada posicionamento inicial apresenta possibilidades de funções para ela. No caso da imagem, a posição de volante que foi aberta para ver as suas funções.

Mas como eu sei que o jogador está realizando determinada função em campo? É aqui que entra a percepção e o discernimento de conseguir visualizar uma movimentação que se repete em uma ou mais fases do jogo (as quatro fases do jogo já foram mostradas aqui ). Como análise tática é visualizar repetição de movimento, seja este movimento individual ou coletivo, perceber o que somente um jogador realiza é notar o seu posicionamento inicial e a sua função realizada.

Veja em exemplos para ficar bem claro que há diferentes funções que uma posição possa realizar. No caso, a posição da referência do ataque será utilizada para diferenciar e mostrar como a função desempenhada é modificada, mas o posicionamento inicial é sempre o mesmo.

Exemplo 1: “9 fixo”

Um dos casos mais recentes de “9 fixo” foi a função desempenhada por Fred durante a Copa do Mundo de 2014. Nessa seleção, o camisa 9 do Brasil era o “1” do 4–2–3–1.

Na Copa do Mundo de 2014, Fred foi o único atacante do 4–2–3–1 do time. Além disso, ele exercia a função de referência fixa.

Mas por que é considerado que Fred jogou como “9 fixo”? Porque ele, na maioria do tempo, estava na faixa central do campo e vivia no limite entre ficar em posição legal e em impedimento em relação à linha defensiva adversária. Com essa função, Fred constantemente era o jogador que gerava profundidade e alongava o campo ofensivo para a Seleção Brasileira daquela Copa do Mundo.

Eis um flagrante da movimentação de Fred: ele desempenhava a função de centroavante fixo e por isso se movimentava na região da imagem acima.

Exemplo 2: “9 móvel”

Um dos casos mais recentes de referência móvel foi a função desempenhada por Alexandre Pato durante o ano de 2014 no São Paulo. Nessa equipe, o camisa 11 do Tricolor Paulista formava dupla ofensiva com Alan Kardec no 4–4–2 do time.

No 4–4–2 do São Paulo de 2014, Alexandre Pato realizou a função de referência móvel na equipe.

Mas por que é considerado que Pato exerceu essa função? Porque esse jogador normalmente era quem gerava a profundidade ofensiva do time e se movimentava lateralmente procurando o espaço gerado pelo recuo de Alan Kardec (próxima imagem). Alexandre Pato se movimentava tanto lateralmente que, às vezes, chegava próximo da linha lateral do campo (segundo flagrante).

Na referência do ataque e tendo a função de “9 móvel”, Alexandre Pato se movimentava lateralmente nos espaços gerados por Alan Kardec, como no frame acima.
O movimento lateral era tão grande que Pato chegava até próximo da linha lateral, como na imagem anterior.

Exemplo 3: “Falso 9”

Um dos casos mais recentes de “falso 9” foi a função desempenhada por Lionel Messi durante temporada de 2010/11 no Barcelona. Nessa equipe, o camisa 10 catalão era a referência de ataque do 4–3–3 do time.

Na temporada 2010/11, Messi era a referência do ataque do time e exercia a função de “falso 9”.

Mas por que é considerado que ele exercia função de “falso 9”? Porque naquela equipe, Messi, durante a ação ofensiva do Barcelona, recuava pela faixa central do campo para jogar e deixava a posição do 9 “vaga”. Como ele fugia da posição do centroavante, Lionel Messi não era o 9 enquanto o time atacava e, por isso, essa função é chamada de “falso 9”.

Já durante a transição ofensiva, Messi começava a recuar pela faixa central e deixava de ser o jogador que iria gerar profundidade ofensiva para o time.
Em campo ofensivo, Messi continuava a não ser o jogador da profundidade e, desse modo, sequer ficava próximo da linha defensiva adversária. Eis a função de “falso 9”.

Viu como é possível uma só posição realizar diferentes funções, e de que as funções são bem diferentes entre si? Deste modo, nota-se que o futebol tem se desenvolvido e, para analisar um jogador taticamente em uma partida, não basta somente dizer o posicionamento inicial dele, mas, sim, a sua função em campo. Já que uma posição pode, sim, realizar diferentes movimentações e, por consequência, funções.

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