Saída Lavolpiana: o que é, quem a criou e suas “variações” atualmente

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Uns anos atrás, um tipo de saída ficou muito conhecido e ficou sendo utilizada por muitas equipes durante muito tempo: a tal saída Lavolpiana. No entanto, todos esses times teriam usados essa saída com o intuito para qual ela foi criada? E por que esse nome é tão diferente? E, por fim, como esse tipo de saída tem sido utilizado de maneira ampla recentemente?

Saída Lavolpiana? O que seria isso?

Antes de descrever o que seria uma saída Lavolpiana, vou te mostrar quem é o fundador deste tipo de saída de jogo.

Ricardo La Volpe nasceu em Buenos Aires em 1952, atualmente, técnico do Jaguares do México é o criador da saída desta publicação e, por isso, que a saída de chama “Lavolpiana”. La Volpe, quando jogador, jogou em times e na seleção da Argentina e, também, em equipes mexicanas. Já como técnico, ele comandou prioritariamente clubes mexicanos, inclusive a Seleção Mexicana, em sua carreira.

Imagem de Ricardo La Volpe de quando chegou ao Jaguares.

Mas como um tipo de saída que acontecia no México passou a ser conhecida mundialmente? A resposta passa por Josep Guardiola e a Copa do Mundo de 2006.

Quando Guardiola se aposentou em 2006, ele passou a ter tempo para ver e estudar o que acontecia em diferentes países. Ele mesmo afirmou em seu livro de que o seu modelo de jogo é baseado naqueles aspectos táticos que mais o agrada, e um desses aspectos, durante toda sua passagem no Barcelona, foi a saída Lavolpiana. Em um desses estudos durante a Copa do Mundo de 2006, Pep Guardiola viu o jogo entre o México e a Argentina e ficou admirado com a maneira com que o México saía facilmente do seu campo defensivo com a bola no chão. Aquele México era comandado por Ricardo La Volpe.

Depois de dois anos da Copa do Mundo de 2006, Guardiola assumiu o elenco principal do Barcelona. Em cinco anos, ele, seu elenco e seu modelo de jogo mostraram ao mundo diferentes aspectos táticos de futebol, entre eles a saída Lavolpianda. Diante do sucesso daquele Barcelona, a saída Lavolpiana ficou conhecida mundialmente e passou a ser reproduzida.

Um dos exemplos de saída Lavolpiana usada no Barcelona de Guardiola: Busquets se enfiou entre os zagueiros Piqué e Abidal.

Mas afinal, o que seria uma saída Lavolpiana?

A saída Lavolpiana foi criada com intuito de facilitar a saída de jogo pelo chão e de gerar superioridade numérica atrás dos atacantes adversários. Como muitos times naquela época usavam dois atacantes, a saída que Ricardo La Volpe encontrou foi recuar um dos seus jogadores e, então, alinhar-se aos dois que estavam sendo pressionados pelos atacantes adversários. Como totalizando o número de jogadores do time que estava com a bola dava três, a saída Lavolpiana é também conhecido como a “saída de 3”.

Tendo dois atacantes pressionando dois jogadores em campo defensivo, para facilitar a saída de jogo e aumentar as chances de sair pelo chão, La Volpe recuou um dos seus outros jogadores.

Continuando o raciocínio, como não havia espaço para que este terceiro jogador pudesse entrar entre os dois que estão fazendo a saída, outros mecanismos característicos da saída Lavolpiana são a liberação dos lados dos campos e abertura do trio que irá se formar. Isso tudo tem algumas intenções.

Para recuar um jogador, dois avançaram e outros dois abriram espaço para o recuo ser possível.
Uma das intenções da saída Lavolpiana é ter um jogador atrás da linha dos atacantes adversários em cada faixa do campo. Devido a isso, há possibilidades de sair pelo chão em qualquer uma dessas faixas, pois dois jogadores só conseguem fechar, no máximo, duas faixas de campo.

E agora, com o portador da bola tendo uma opção de passe para trás, uma invertendo o lado e outra a frente, como o atacante irá pressioná-lo e ter grandes chances de desarmá-lo? E mais, como o outro atacante vai continuar a pressão na saída de bola adversária, se agora ele tem duas linhas de passes para marcar sozinho? É, parece que a bola irá sair pelo chão.

Com o portador da bola tendo três opções de passes, dificilmente o passe será realizado erroneamente.

E isso não é tudo. A saída Lavolpiana também tem a intenção de atrair o adversário para o campo defensivo e, então, gerar linhas de passes seja invertendo o lado, ou achar algum jogador livre perto do meio-de-campo. As chances de haver uma saída pelo chão são realmente grandes.

Na imagem acima, há, pela demonstração 3, a representação de quando há uma linha de passe invertendo o jogo, e pela demonstração 4, quando há uma opção pela faixa central.

E você reparou no detalhe de que até agora não citei de que necessariamente a saída Lavolpiana é realizada por dois zagueiros e o “1° volante”? Pois é, e ela não precisa mesmo. Como a intenção é gerar maior facilidade na saída de jogo pelo chão, ela pode-se ser realizada com quaisquer três jogadores. Claro que o mais comum é quando o tal “1° volante” recua entre os zagueiros, mas veja se estas situações não entram nas mesmas intenções e movimentações anteriormente descritas:

O próprio Guardiola em seu Barcelona havia demonstrado situações diferentes para uma saída Lavolpiana: Abidal, lateral-esquerdo, era quem fazia o lado esquerdo dos três jogadores enquanto que Piqué, zagueiro, fazia o lado direito.
Como os goleiros estão passando a fazer mais parte da saída de jogo, por que não incluí-los na saída Lavolpiana?
Hernani, conhecido “2° volante” do Atlético-PR, recuou para fazer uma saída Lavolpiana e olha para onde ele recuou: para o lado direito! Como o restante do time se movimentou de acordo com todas as outras movimentações que caracterizam uma saída Lavolpiana, esse recuo de Hernani não se pode considerar que o Furacão realizou uma saída Lavolpiana? Sim! Claro que pode!

Assim como o Barcelona de Guardiola e outros casos acima demonstrados, a saída Lavolpiana deixou de ser usada somente através do recuo do “1° volante”, mas, sim, de maneira ampla, pois bastam ter quaisquer três jogadores, após a sua equipe ter se movimentado para tal.

E para responder a última pergunta de abertura deste texto: todos os times que utilizaram essa saída teriam a feito com o intuito para qual ela foi criada? A resposta é não! Desde 2010, a saída Lavolpiana passou a ser usada e, algumas vezes, usada porque estava na “moda”. Diante de tantos esquemas que iniciam a sua marcação com somente um atacante (como o 4–2–3–1, 4–1–4–1 e etc), o recuo de um jogador para auxiliar a saída foge de uma das intenções iniciais de uma saída Lavolpiana que é de gerar superioridade numérica atrás dos dois atacantes adversários. Como se tem só um jogador pressionando dois jogadores do time com a bola, a superioridade já está feita.

Precisaria mesmo desse recuo de Thiago Motta entre os zagueiros para gerar superioridade numérica atrás da linha do atacante adversário? Oras, em dois zagueiros tem mais jogadores do que em um atacante (Imagem retirada do blog Dissecando Futebol ).

Enfim, a saída Lavolpiana foi criada com intuito de facilitar a saída de jogo pelo chão e de gerar superioridade numérica atrás dos atacantes adversários, devido a isso é que se procura ter três jogadores, um em cada faixa do campo, atrás de dois atacantes. E no caso de três jogadores, é melhor ter o jogador do centro mais atrás do que os outros dois, pois assim facilita ter a opção de virada rápida pelo chão e pelo alto.

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