Just for one day…

Talvez eu seja uma idealista. Talvez os anos assistindo filmes de heróis e bandidos tenha criado em mim um senso de mundo em preto e branco que não é real (muito menos saudável). Talvez, só talvez, eu acredite que escreveria um roteiro muito melhor do que o ser responsável por dirigir nossa vida.

Mas prefiro viver assim, mesmo sabendo que machuca.

Estou pensando sobre isso porque um amigo me falou, dias atrás, que ninguém é especial, que todos fazemos parte de uma grande massa que não é relevante no mundo. Fiquei com isso por dias, cheguei a uma conclusão diferente. Todos somos especiais, todos somos únicos, todos fazemos a diferença. Não serei revolucionária como Darwin, relevante como Nietzsche, inesquecível como Shakespeare (posso continuar a lista por horas, mas você entendeu o ponto). Você também não vai ser nada disso.

Mas, por outro lado, podemos mudar a equação. Se pensarmos que, cada pessoa é um mundo, que cada um tem suas próprias experiências e vidas que continuam correndo lado a lado com a sua, podemos concluir que sim, eu sou mais importante que o Shakespeare, pelo menos para as pessoas que convivem comigo (ou são obrigadas a conviver). Vamos pensar por uns minutinhos… Você preferia viver sem conhecer nenhuma obra desse autor que revolucionou a escrita, ou sem seu melhor amigo?

Não, eu não vou derrotar o grande cara malvado que está assolando a humanidade, nem falar uma frase de efeito enquanto rola um zoom na minha cara sarcástica. Não vou viver feliz pra sempre, nem ficar com o mocinho no final. Também não tenho super poderes, nem super inteligência, nem o melhor super poder de todos: muitos dinheiros.

Afinal, muitos dinheiros também é um super poder

Em contrapartida, eu posso ficar com um amigo que está passando por um momento difícil e salvar aquele mundo. Posso fazer piada e rir até a barriga doer com outro amigo e fazer aquele mundo melhor. Posso debater com alguém sobre um tema polêmico e, no fim, os dois mundos saem diferentes.

Não, eu definitivamente não acredito que ninguém é importante. Se tem uma coisa que aprendi nesses anos todos acumulados de séries, filmes e livros foi que qualquer pessoa, por mais simples que ela pareça, por mais atrapalhado, triste, quebrada que seja, todos nós mudamos o mundo. Por menor que seja o seu ato aos olhos da humanidade, naquele momento, na hora em que você ajuda alguém, no segundo que você decide fazer diferente, você salvou o mundo. E é isso que importa.