Minha querida depressão…

Imagine que você está andando numa rua plana, sem buracos, cheia de árvores, com o sol da manhã refletindo nas folhas e um vento tranquilo. Andar por esse caminho é fácil, todos os aspectos colaboram e você continua em movimento, até que seu corpo começa a se esforçar mais pra continuar em movimento e você percebe que começou a subir uma colina.

Nos primeiros passos a subida é fácil e você mantém o ritmo, mas, com o tempo, seu corpo começa a sentir o esforço e você começa a andar mais devagar.

O sol, que antes iluminava o caminho, começa a queimar sua pele. O ar, que antes acariciava seu rosto, agora falta nos pulmões. Você continua andando e subindo, mas cada passo é mais difícil que o anterior.

E aí você para. Você não consegue mais subir, mas não pode voltar.

Você começa a acreditar que a estrada que antes era fácil é uma lembrança distante e doce demais pra ser real e o topo é uma mentira inventada para te fazer continuar em movimento.

E você tá ali, parado no meio do caminho. Ou você continua subindo e sentindo todas as dores da caminhada e do esforço, ou você sai da estrada e desiste.

Algumas vezes essa pausa é rápida e você volta a caminhar em instantes. Outras vezes você passa dias parado, cogitando que diferença vai fazer você parar de andar no fim das contas.

E então você volta a andar, só pra descobrir que a subida agora está mais difícil, porque seu corpo já esfriou e agora os músculos protestam.

O último passo, antes de alcançar o topo é o pior de todos. Seus músculos tremem, parece que o mundo não tem ar o suficiente pra você respirar e seu coração tá mais acelerado que a bateria do Dave Ghrol.

O topo chega e você respira com mais facilidade. Vai demorar um tempo pras dores irem embora, mas o esforço irreal acabou. Você consegue voltar a aproveitar o vento e o sol. Você sabe que irá continuar caminhando e que logo uma nova colina vai aparecer no caminho. Pode ser amanhã, pode ser daqui semanas, pode demorar meses, mas elas sempre aparecerem.

Durante muito tempo eu tentei, de várias formas, descrever como me sinto durante crises depressivas e essa foi uma forma simples de explicar algo complexo.

Hoje eu estou no topo da última colina que eu subi. Hoje eu vejo um caminho mais tranquilo, mas eu sei que ele não vai durar pra sempre e logo outra colina irá sugir na minha frente.

Até o momento eu não abandonei a caminhada, consegui juntar umas centelhas de força e continuar subindo. Não sei se será sempre assim ou se haverá uma montanha alta demais, difícil demais, que vai me fazer finalmente desistir.

Mas até lá, eu vou aproveitar a vista do topo do morro.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.