Querido 2018…

O primeiro textão reflexivo clichê desse ano não vai ser uma retrospectiva de 2017, é um desafio pra 2018. Na verdade é uma grande retrospectiva dos último anos, mas tem um desafio pra 2018 sim. Acredite.

No alto dos meus 29 anos, eu passei por situações que acreditei que ainda demorariam anos para acontecer. Mano, eu tive que lidar com separações, perdas, desencontros. Mudei de cidade, mudei de estado civil (duas fucking vezes!), mudei de casa, de pensamentos, de atitudes, de amores. Perdi meu porto seguro. Tive que ser o chão de muita gente. Tive que encontrar uma forma de ter força mesmo querendo morrer. Literalmente morrer.

Pra quem tem depressão, é normal ter planos suicidas. Eu tenho alguns… Não que eu vá contar pra vocês.

Mudei tanto que eu ando parecendo um gerador de improbabilidades infinitas.

Me perdi. E me perdi real. Eu não me reconhecia mais nos últimos anos. A vida seguia e eu tava indo junto. Na verdade, tava sendo empurrada junto. Contra toda a minha vontade.

Tive que voltar ao passado pra me reencontrar.

Voltei a ter alegrias. Voltei a rir de verdade e não só a rir porque parecia o certo. Voltei a olhar no espelho e não desviar o olho com vergonha, medo, fraqueza. Voltei a sair com amigos porque eu estava muito afim e não por medo de ser chata, de ser a esquisita, de ser esquecida.

Encontrei amigos que são indescritivelmente diferentes de mim. Encontrei amigos que parecem cópias minhas.

Encontrei amigos. E ponto. Só isso que importa.

Encontrei até uma religião. Pra quem me conhece a pouco tempo, pode parecer uma coisa banal, mas pra quem me conhece há alguns anos é um grande choque de realidade.

Sim, eu, Camila, tenho uma religião.

Axé e Saravá!

Encontrei explicações do porque eu sou quem sou. Encontrei motivos pra acordar de manhã e agradecer.

Levei tanto tapa sobre meus erros que eu perdi o rumo. Ganhei reconhecimento por estar seguindo no caminho certo e por estar feliz.

Vi gente que mal me conhecia feliz por minhas vitórias.

Hoje não é mais qualquer brisa que me derruba.

Antes era.

Eu pagava de forte e dona da porra toda, mas por dentro eu caia a cada pedra no caminho. E eu desabava. E eu não achava forças pra levantar.

Hoje eu aprendi que pedras são minha fonte de força. Hoje eu sei que pra me derrubar, precisa de muito mais que um furacão.

Agora tenho novos desafios:

Principalmente calma.

Porque rio calmo também afoga e é isso que eu tenho que ter em mente.

Agora um recado pra 2018: vai precisar de muito, mas muito mesmo, pra me tirar do eixo. Vai ter que vir com a força toda. Vai ter que ser nuclear.

Eu não me contento mais com pouco, agora eu quero a porra toda.

Eu quero perder o chão.

Na verdade, eu quero cair, errar o chão e sair voando. Eu quero momentos inesquecíveis no meu dia a dia. Eu quero dançar e cantar errado mesmo, desengonçada mesmo. Eu quero me perder de amor. Eu quero ser completa sozinha. Eu quero me achar e me perder tantas vezes até me tornar uma pessoa nova, mas ainda sim a mesma de sempre.

Eu quero o complicado porque o simples eu já cansei.

E eu quero me lembrar, o ano todo, desse conselho do Doctor: "Never be cruel, never be cowardly (…) Remember: Hate is always foolish and love is always wise. Laugh hard. Run fast. Be kind."

Que o machado de Xangô faça justiça o ano todo. Kaô.

Que Oxum dê um banho de amor em todos nós. Ora iê iê ô.

Ps.: E sim, eu sei, muitos dos meus mantras vem de Doctor Who. Supera isso.

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