Canção para esquecer
Trama, traz, trago.
Traindo-se por dentro.
Traga teu estrago.
Caindo em esquecimento.
Jura, puxa, murcha.
A banda? Já passou.
Açúcar, ferro e doce.
Têm infância e vapor.
Estupra, grita, ofende.
“É só mais um dotô!”
Interna, recria, acende.
O terno, é o que passou.
Aterra a nova mente.
“Remete teu pastor! ”
Cobra na tua frente.
“Incline-se….por favor! ”
Há luz, há vida em frente.
É sempre pela dor.
Há liberdade consciente.
Que ainda não conquistou.
Aponta, humilha, apaga.
O preto sofre o pavor.
Há algo de insuportável.
Em ser mais um dotô.
É o medo dessa navalha.
Que rasga sem pudor.
Se a juventude marcha.
O grito é de amor.
Fala, espicha, levanta.
A bandeira caiu na navalha!
Entalha, reclama, defende.
Renasce, enfrenta tua falha.
Há fome, há frio indecente.
A água, pinga na casa.
Elétrico é o brilho na mão.
O barro arranca na marra.
Roubo! “De novo, demente? ”
Teu gasto reluz na tua cara.
Tu tira de quem tanto sente.
E senta à mesa na sala.
Rejunte, espólio, descrente.
Acusa, antes, te mata.
Metralha subindo contente.
Melhora as cores da praça.
E se morrer de repente?
Tiro! …Buraco de bala.
Teu sangue escorrendo nos dentes.
Sujando a nova calçada.
Cheira, lança, perfura.
O quadro, retrata, decora.
No transe que a vida moldura.
Tua sorte da boca entorna.