Canção para esquecer

Felipe Araujo
Aug 22, 2017 · 1 min read

Trama, traz, trago.

Traindo-se por dentro.

Traga teu estrago.

Caindo em esquecimento.

Jura, puxa, murcha.

A banda? Já passou.

Açúcar, ferro e doce.

Têm infância e vapor.

Estupra, grita, ofende.

“É só mais um dotô!”

Interna, recria, acende.

O terno, é o que passou.

Aterra a nova mente.

“Remete teu pastor! ”

Cobra na tua frente.

“Incline-se….por favor! ”

Há luz, há vida em frente.

É sempre pela dor.

Há liberdade consciente.

Que ainda não conquistou.

Aponta, humilha, apaga.

O preto sofre o pavor.

Há algo de insuportável.

Em ser mais um dotô.

É o medo dessa navalha.

Que rasga sem pudor.

Se a juventude marcha.

O grito é de amor.

Fala, espicha, levanta.

A bandeira caiu na navalha!

Entalha, reclama, defende.

Renasce, enfrenta tua falha.

Há fome, há frio indecente.

A água, pinga na casa.

Elétrico é o brilho na mão.

O barro arranca na marra.

Roubo! “De novo, demente? ”

Teu gasto reluz na tua cara.

Tu tira de quem tanto sente.

E senta à mesa na sala.

Rejunte, espólio, descrente.

Acusa, antes, te mata.

Metralha subindo contente.

Melhora as cores da praça.

E se morrer de repente?

Tiro! …Buraco de bala.

Teu sangue escorrendo nos dentes.

Sujando a nova calçada.

Cheira, lança, perfura.

O quadro, retrata, decora.

No transe que a vida moldura.

Tua sorte da boca entorna.

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