Eu não sei escrever

como vocês já supunham



Sempre gostei das palavras. Das letras. Da formação de frases. Da complexidade em pegar uma ideia e colocar num papel branco escrito com tinta azul, preta ou vermelha. Ou com um lápis. Ou uma lapiseira. Escrever, sempre quis conseguir de fato. O máximo que sei fazer é colocar palavras num papel, com alguns garranchos aqui e acolá.

Mas o que eu quero falar não é exatamente sobre a escrita à mão; não apenas disso. Falo da escrita de todos os modos, até mesmo a digitada. Falo mesmo da ideia, de pegar uma frase, falar dela no início, fazer um jogo com ela no meio e fechar com um gran finale dessa frase, em que, com isso, faça todo o texto ter um enorme sentido e cause um grande estardalhaço na cabeça do leitor. Acho que não me fiz entender ainda, mas estou tentando. Juro.

Voltando ao início, eu adorava muito a época que era criança e estava aprendendo a escrever as letras passando o lápis por cima das linhas pontilhadas. Fazer o “F” maiúsculo era complexo, mas, nossa… Que delícia era fazer a letra “F”. Acho que você também sentia esse prazer ao escrever alguma letra. Ou palavra. Ou até mesmo um número.

Acho que um bom exemplo é quando conseguimos escrever nosso nome pela primeira vez.

Eu gosto muito do número “5”. Gosto ainda mais do “50”. Não sei explicar porque esse fascínio, mas por muitas vezes me peguei olhando (até mesmo minutos) fixamente para uma nota de R$5 ou para uma moeda de 50 centavos. Analisando cada parte dos números, cada curva que foi necessário ser feito para chegar ao: “esse aqui será o número “5”/“50”.

Eu realmente não sei escrever e eu queria muito saber. Queria muito que as minhas ideias, que tenho de vez em quando, fossem colocadas no papel de maneira ordenada, correta e que fizesse um sentido para quem estivesse me lendo. Queria ter a capacidade de escrever bem assim como tenho de ler bem.

Queria escrever algo com a sensação maravilhosa que eu sentia quando criança de fazer o número “5”. A mesma de quando escrevi meu nome pela primeira vez.

Mas meu textos são sempre iguais a esse — começam de um jeito, tem um desenvolvimento confuso e um fim inesperado.