Quando eu digo que quero desenhar contigo, não é só sobre invadir - sem querer - a ponta do teu desenho com o meu. Eu quero ser teu risco e me fazer arisca nos teus braços. Arisca por charme, já que em tua boca eu não seria capaz de me manter arredia. Quero matar essa sede de arte, deslizando minha língua no teu corpo melado de tinta e gozando das cores do mundo com você.

Já não me satisfaz te admirar por fotografia, porque tu és paisagem viva e eu quero pousar em ti. Pousar para te contornar com meus dedos, nunca para descansar. Não me canso de ver meu abstracionismo virar arte marginal quando falo contigo, tampouco cansaria quando você me sorrisse com os olhos ou me fizesse suar igual tinta fresca escorrendo poesia pela parede.

(…)

E se eu não couber nos teus traços não hei de caber nem em mim.

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