Quando não há mais ninguém para por a culpa

Perdoe-me, meu amigo. Falhei com você. Não tenho parado para pensar nas consequências das minhas ações. Perdoe-me, meu amigo. Não tenho sido verdadeiro com você. Falsificando sentimentos, encenando emoções, simulando ser alguém que não sou. Agora tudo isso faz parte da minha rotina teatral. Perdoe-me, meu caro amigo. Você que sempre esteve aqui por mim. A mais longínqua e sincera das amizades. Hoje, uma doce lembrança.

Há tempos não levo em conta sua opinião, sua moral, suas vontades e desejos. Tolo erro meu! Não me orgulho de dizer essas coisas, mas cansei de enganar a quem um dia eu me espelhei. Você, ainda que longe da perfeição, era admirado pela simplicidade, modéstia e dedicação nas coisas que fazia. Você: a última pessoa na face da Terra que eu poderia desapontar.

Perdoe-me, amigo. Eu te decepcionei. Entre meus hábitos agora estão aqueles que você repudiava. Aquele tipo de comportamento que você nunca ousaria ter, eu sei. Mil perdões, meu mais que querido amigo. Fui fraco. Caí em tentações que em nada agregam ao meu caráter. Começo desde já a busca por minha tardia redenção.

Enfim, nós bem nos conhecemos como as (idênticas) palmas de nossas mãos. Sei que apesar de estares magoado, tu não me queres mal algum e anseia pela volta da nossa boa e velha amizade. Mesmo que a paciência nunca tenha sido seu forte, apelo mais uma vez para ela.

De coração aberto, garanto que logo te darei um forte abraço de regresso. E tudo não passará de um sonho ruim.