Se ao menos eu pudesse voltar atrás…

Preciso por um fim nisto. Não aguento mais lamentar em silêncio. Logo irei sufocar em tristeza e desgosto, pois dia após dia tem sido a mesma monotonia ingrata desde que você se foi. Sei que, lá no fundo, mereço cada minuto desse meu martírio. Fui esnobe com seu amor. Te fiz esperar por uma resposta óbvia, uma verdade que só agora percebo com clareza: eu te amo.

Fato é que sou a indecisão em pessoa, e de alguém que se autointitula dessa forma não se pode esperar diferente. De modo passivo, assisti à mais bela oportunidade de minha vida escorrer literalmente pelas minhas mãos, braços, boca. Irônico! A própria vida havia me cegado! As marcas deixadas pelos relacionamentos passados vedaram meus olhos para o quão singular era essa pessoa que por mim ali estava. Você veio até mim com o mais puro dos sentimentos. Uma combinação em proporções ideais do que esse mundo tem de melhor a oferecer. Você: obra-mestra forjada por Deus em um dia de bom-humor.

Cada vez que vejo uma foto sua sinto meu coração bater mais rápido, e então mais uma vez recordo a minha condição de ser vivo. Condição essa logo frustrada pelo fato de você não estar mais aqui do meu lado. Ah, garota! O quanto sinto sua falta! Nossas conversas repletas de intimidades, as tardes em que você me contava da sua vida e eu cantava para você ao som do meu violão. Nós podíamos ser nós mesmos naqueles instantes. Daria qualquer coisa para voltar atrás numa dessas tardes e declarar meu amor por você.

A essa idade eu já devia ter aprendido a lição. Qual o propósito das coisas boas senão findar? Hoje, minha boca amarga por abstinência da sua. Uns dizem que “tudo ocorre por um motivo”, que talvez “era pra ser assim”. Mas, reluto em aceitar tais tentativas de suavizar minha dor. A verdade é que fui imensamente infeliz na escolha de deixar você partir. Ou em não ter feito escolha alguma, melhor dizendo.

Tão cheio de mim, não notei que os meus dias eram alegres tão somente porque ao acordar ansiava em te ver, ou porque à tarde nós podíamos conversar e falar sobre vários nadas e teus “sei pa ques”, ou porque à noite — ao invés de escrever textos melancólicos — eu te falava coisas que não podiam ser ditas na manhã seguinte e só dormia depois de te desejar bons sonhos.

Agora, outro ocupa o lugar que um dia você reservou com carinho para mim. Não tiro sua razão, minha amada. Você fez o que pôde para convencer esse tolo que aqui vos fala de que nós valíamos a pena. Mas um só não pode amar por dois, eu bem sei. Perdoe-me, príncipa, mas por mais que eu queira e você mereça não posso dizer que desejo felicidades ao casal. Seria bonito, uma atitude nobre, porém, não verdadeira. E entre ser falso e seguir meu coração — ainda que não me orgulhe disso — , eu prefiro esperar por nosso “felizes para sempre”, assim como você esperou por mim e as mil e uma complicações que inventei na minha imaturidade.

Não sei por quanto tempo esse tormento vai durar. Não sei o que o futuro nos reserva e muito menos qual será o nosso desfecho. Mas até lá, cada amanhecer acinzentado trará consigo meu profundo lamento: “se ao menos eu pudesse voltar atrás”…