Vivendo o passado estando no presente

Texto retirado do meu trabalho de conclusão de curso a ser entregue e adaptado para essa mídia

A Ditadura Militar brasileira foi instaurada no país em 1964, tendo seu fim em 1984. De acordo com Mércio Pereira Gomes: “Foi uma drástica interrupção de um progresso social de crescimento da democracia brasileira”. Por 20 anos vivemos um retrocesso de direitos civis e públicos que prejudica nosso desenvolvimento até os dias atuais.

O cenário encontrado na época que antecedeu o golpe é bastante parecido com o que vivemos hoje. Como explica Gomes,

“uma parte significante da sociedade brasileira, especialmente aquela capaz de expor suas atitudes contrárias ao que estava acontecendo no país, demonstrou que não queria o tipo de governo existente e pediu aos militares para intervir. E eles o fizeram.”

O que se coloca em argumentação é que o golpe não foi somente militar, mas também civil, devido a uma pressão popular em não aceitar mais o governo vigente. Para alguns, entende-se que a ditadura teve inicio realmente após o Ato Institucional nº 5, já que antes disso, o Congresso Nacional permanecia atuando, mesmo havendo a cassação de alguns representantes. Após o Ato é que ele realmente foi desfeito, deixando as decisões sociais e políticas na mão do governo.

Mas desde a República, instalada em 1889, o país já vivia em um estado autoritário encoberto pelo positivismo. Pensamento que conseguiu ganhar espaço e foi plenamente instaurado com a chegada de Getúlio Vargas a presidência. E foi neste período que, de acordo com o cientista político René Dreyfuss, deu-se início a uma consolidação do golpe, tendo como mentores empresários, militares e o governo norte-americano. Ou seja,

“nosso país tem um ranço golpista e autoritário que não é monopólio dos militares. Pelo contrário, está impregnado na nossa cultura, à direita e à esquerda” — Luiz Carlos Azedo.

É de grande expressividade afirmar que o Brasil, antes de 1964 vivia um crescimento econômico, social e cultural:

“A participação de camponeses no Nordeste, a luta pela educação realizada pelo governo de Miguel Arraes, sob a orientação de Paulo Freite, e pela criação da Universidade de Brasília, por Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira, a ampliação de direitos trabalhista, inclusive o 13º salário, a tentativa de fazer uma reforma agrária e de controlar um tanto a remessa de lucros das empresas estrangeiras pela necessidade de investir no Brasil.” — Mércio Pereira Gomes.

Crescimento esse que foi mascarado pela mídia e pela elite brasileira. Ambos utilizaram o medo como sentimento para conquistar a população, afirmando que as coisas poderiam ficar muito ruins, que se algo não fosse feito haveria uma ditadura sindicalista ou atos anarquistas sem pé nem cabeça. O motivo para isso é obvio, estavam vendo o proletariado ganhar mais voz e direitos.

O fim do regime ditatorial ocorreu devido a pressões políticas e econômicas, sem tirar o mérito da juventude e a mobilização popular que, mesmo com tantas calamidades ocorridas, mantiveram suas ideologias e continuaram na luta. E todo o ocorrido deixou o Brasil com uma forte lição, “não se golpeia a democracia em nome da democracia”, frase dita pelo atual Ministro das Relações Exteriores, José Serra.

Parece que, quando é o poder que está em jogo, tudo vale, não é mesmo?

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