As vezes a gente se pega deitado, pensando na vida, imaginando e planejando como uma criança, um sulfite branco e uma caixa de lápis de cor. Tantas cores e tantos traços, retos, tortos e curvos. Linhas trêmulas e linhas fluidas. Pequenos desenhos de casinha e árvores, aquela família de palitinhos e dois gatos. Pra fugir daquele padrão de cachorro, podia ser o Pluto, Puruto como diz com o sotaque japonês.

As vezes, somos crianças assim, crianças adultas, que não deixaram de brincar, não deixaram de sonhar. Não são sonhos impossíveis sabe? São todos reais, movidos por fé e fatos. Sonhos planejados por nós duas, desde a cor até o traço.

Somos dois filhotes que não fugiram da Terra do Nunca, nunca chegamos lá afinal, mas nunca deixamos morrer aquele riso infantil que emerge das cinzas quando estamos o pó. Por algo simples, algo tão apropriado. Como um boneco remendado, um costume, um apelido, ou só o fato de que sabemos que brincar nos faz sorrir e o sorriso é o combustível pra tudo melhorar. Quem canta o mal espanta, quem sorri é feliz.

Você é meu sorriso, diário, eterno. Me faz sorrir nas boas horas, nas ruins, bem apropriadas. Afinal não me deixa me enterrar num canteiro de cinzas. Nosso amor é fênix, nossa felicidade também, penas lindas, de fogo. Que se renovam a cada baque, renascem com cada sorriso. Cada promessa de um futuro planejado mas tão natural.

Da ansiedade, sabia? Desenhar um apartamento, sem mil vasos de planta, bagunçado mas de bagunça gostosa, sem acúmulo mas com muita história dentro. Dragon ball e katanas, estantes de livros e mangás, ordem por cor ou alfabética, tamanho ou data. Hulks e Capitão América, almofadas e camisetas estampadas com nossos gostos, muita roupa nova, mas muita besteira na cozinha. Detox também, os sucos e chás. Aquele armário com tanto creme de cabelo, e não esquece o cronograma! São coisas que eu quero, quer também? Sei que quer, vou te dar isso assim como vai me dar. Sei porque desenhamos num papel grande, juntas e nosso desenho é o mais lindo do mundo.