Mãos de adrenalina- 6 de Abril de 2017
Tenho duas mãos. Sempre as tive.Numa mão a pistola, na outra as balas.
Não percebo de armas, nunca percebi. Talvez nem queira perceber. Continuo com as mãos cheias. Tremem. Estou nervosa. Não percebo de armas, nunca perceberei.
São poéticas. Puxo o gatilho. Não sei ao certo o que significa puxar o gatilho, mas sei que é bonito.
Falar de armas, mais precisamente, a arma que carrego na mão esquerda arrepia pessoas. É como falar no amor.
O amor, e a tua mão. De que serviria o amor sem a tua mão? Chamas-lhe minúscula, eu chamaria-lhe poderosa. A tua mão percorre o meu corpo, e tal como a tua mão, a arma que carrego…arrepia-me. É a adrenalina, aquela que nunca senti.Sempre fui a covarde. Nunca provei shots de adrenalina, nunca fui quem não sou.
Esta arma que carrego, faz de mim menos covarde! Ou não.
Não há conclusões, apenas interrogações: de que serve o amor se é semalhante a ter uma arma na mão?
