O jornalismo mainstream Brasileiro é branco e homem

Cecília Olliveira
May 6, 2016 · 3 min read

O Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA), do IESP/UERJ divulgou hoje um estudo que explicita a ausência de diversidade no jornalismo brasileiro tradicional.

A pesquisa "Jornalismo Brasileiro apresenta o perfil de gênero e cor/raça dos colunistas dos principais jornais impressos do país " revela os perfis dos colunistas do O Globo, Folha de São Paulo e Estadão. O gênero masculino é predominante nos três jornais e perfaz, respectivamente, 74%, 73% e 72% do total de colunistas em cada um.

Em relação à cor/raça a desigualdade é ainda mais severa, com os dados de colunistas de cor branca atingindo 91% para o jornal O Globo, 96% para a Folha de São Paulo e 99% para o Estadão. O total de indivíduos analisados variou em função dos dados disponíveis nos sites dessas mídias. A Folha de São Paulo (total = 256) apresenta listagens dos colunistas, ex-colunistas e colunistas convidados[1], enquanto o Estadão (total = 82) fornece os nomes apenas dos seus colunistas atuais. Por fim, O Globo (total = 46) expõe seus colunistas de maneira dispersa, em mais de uma sessão do jornal.

O jornal O Globo apresentou 4% de mulheres negras na função de Colunista, enquanto o Estadão ficou com 1%. Já a Folha de S. Paulo não possui nenhuma mulher negra desempenhando tal função.

No ano passado a Ana Maria Gonçalves escreveu um artigo na Folha de S.Paulo onde relatava que de 555 colunistas e blogueiros de 8 veículos de imprensa (Folha, “O Estado de S. Paulo”, “O Globo”, “Época”, “Veja”, G1, UOL, e R7), 6 são negros.

Mas você pode se perguntar — e eu sinceramente espero que não — mas o que isso importa? Como bem disse Ana Maria, "também por isso o debate sobre racismo ocorre longe da maioria da população a quem, no dia a dia, ele não afeta ou interessa”. Até mesmo pelo princípio da empatia. Se um assunto ou temática não tange sua vida diretamente, você sequer percebe que ele existe. Se as relações de racismo não perpassam o dia a dia de uma pessoa, esse assunto simplesmente não é relevante pra ela. Não por que ela necessariamente não queira ou negue que o racismo exista. Isso simplesmente não faz parte de sua vida. Pronto. O assunto está inviabilizado.

Lembremos ainda que o diretor de Jornalismo da Globo, Ali Kamel, escreveu um livro chamado "Não Somos Racistas". Lançado em 2006, o livro é motivo de críticas e vexame aqui e lá fora.

Como bem disse Ana Maria Gonçalves, que é autora de um dos melhores livros que li — Um Defeito de Cor — : "Porque a deseducação promovida por séculos de escravidão e racismo, aliada ao placar de 549 a 6 na imprensa brasileira, cava um fosso profundo demais para preencher".

Confira também:

Raça e Gênero no Cinema Brasileiro (2002–2014)

A Raça e o Gênero nas Novelas dos Últimos 20 Anos

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