Queda da Ciclovia: Doações à campanhas feitas pela CONCREMAT e os Grandes Jogos

Cecília Olliveira
Apr 21, 2016 · 3 min read

Por volta das 11 horas de hoje um trecho de mais 50 metros da ciclovia Tim Maia, na Avenida Niemeyer, desabou. Ao menos duas pessoas morreram. Ainda há pessoas desaparecidas. Uma das vítimas é o engenheiro Eduardo Marinho Albuquerque, de 54 anos, reconhecido pelo cunhado. O outro ainda não foi identificado e tem entre 40 e 50 anos. A ciclovia foi inaugurada em janeiro deste ano e custou R$ 44,7 milhões.

A Concremat tem como diretor-presidente Mauro Viegas Filho, avô do Secretário Especial de Turismo, Antônio Pedro Viegas Figueira de Melo. A organização tem ainda no seu conselho diretor Murilo de Mello Campos, que também integrou a comissão de fiscalização do Mineirão para a Copa do Mundo. Antonio Pedro diz não ter relações com os negócios da empresa.

Resolvi então pesquisar as doações — declaradas — de campanha feitas pela Concremat ultimamente:

Segundo dados do portal Rio Transparente, a companhia recebeu da prefeitura do Rio R$ 51,4 milhões. Os principais valores são referentes a obras no Parque Olímpico e somam R$ 23,1 milhões, no total pago. A empresa Contemat recebeu R$ 47,2 milhões. A Concrejato, por sua vez, recebeu R$ 19,3 milhões.

De acordo com um levantamento da Folha de São Paulo, entre 2000 e 2008, as empresas do grupo Concremat-Concrejato assinaram 16 contratos com a Prefeitura do Rio. A partir da gestão Eduardo Paes, iniciada em 2009, as empresas passaram a participar de 54 obras, num valor total de R$ 451.6 milhões em contratos.

A Empresa atua também no Programa Bairro Maravilha — parte do plano Cidade Olímpica — e faz gestão de vias públicas do Município.

No Rio Transparente o primeiro contrato com a Concremat data de 2010 e é referente a prestação de serviços de apoio para desenvolvimento do trabalho técnico — em carater emercial, SEM licitação — em áreas de favelas, tais como Vila Autódromo e Metrô Mangueira, ambas removidas. A Metrô Mangueira existia há 34 anos e os moradores foram avisados do início das remoções no fim de 2010.

Já a Vila Autódromo luta há anos, desde os Jogos Panamericanos de 2007. A Prefeitura tem usado uma série de justificativas para remover a comunidade, entre elas motivos de interesse ambiental, área de risco, perímetro de segurança para os Jogos Olímpicos, instalação de mídia e assim por diante. Mas Eduardo Paes tem uma história mais longa com a Vila Autódromo e vem tentando removê-la desde 1993, quando era subprefeito da Barra, na gestão Cesar Maia. Agora ele tinha a justificativa perfeita.

FICHA SUJA

A Concremat é uma das construtoras investigadas pela Polícia Federal na Operação Vidas Secas, sobre empresas que atuam na transposição do Rio São Francisco e que são acusadas de desviar 200 milhões de reais.

Há informações ainda de que empresas do consórcio Angramon — formado por UTC Engenharia, Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão, EBE e Techint - , responsável pela montagem da Usina Angra 3 e que é foco de investigação na Lava Jato, receberam pedido de doação para a campanha eleitoral do PMDB, durante reunião do grupo.

Ex-funcionário da Andrade Gutierrez e presidente executivo da Concremat Engenharia, Clóvis Renato Peixoto Primo, disse em depoimento que não tinha informações sobre o consórcio Angramon, porque já havia saído da empresa.

Aqui há um ótimo apanhado de informações: Grupo de empreiteiras lidera contratos no Rio e na Lava Jato em consórcios