Era para ser engraçado, ficou engraçado

Editei um texto que da primeira vez saiu depressivo, para agora ficar engraçado. Não sei se ficou, mas pelo menos você não vai ter mais vontade de se matar no final como na primeira versão.

Sabe aquela pessoa do seu Facebook, super inteligente, admirada, ganha vários ‘likes’ e faz posts sobre política com posições muito esclarecidas? Pois é, ela é uma anta. Vou te provar.

É uma epidemia da internet, a pessoa lê alguns artigos, assiste meia hora de TV e já tem certeza que sua visão de mundo é definitiva.

Lembro de mim mesmo quando tinha 13 anos, 50 reais na carteira e a certeza de que meus pais eram o único obstáculo para meu sucesso inevitável na vida.

Me pareciam muito promissoras minhas únicas atividades da época: assistir aulas de matemática e a recém descoberta punheta. As vezes, praticadas simultâneamente. A professora era bem gostosa. 70 anos com corpinho de 60. Rosto de 80.

Naquela época me faltava um senso de auto dúvida, será mesmo que eu sou um grande masturbador? Ao menos o padre da escola já tinha me prometido que fazia melhor, não acreditei.

É essa mesma ausência de auto contestação que torna o comentarista político de Facebook o jovem punheteiro que acredita ser uma nonagenária massagista chinesa.

Se você analisar no que já acreditamos coletivamente como espécie, convictos de que estávamos corretos, você vai entender o que estou dizendo. A humanidade já teve absoluta certeza de que a terra era plana, de que éramos o centro do universo e de que a Dilma era realmente formada em economia. Precisamos duvidar mais de nós mesmos.

O cara faz textão no Facebook com a maior certeza do mundo de que seu candidato faria uma cidade melhor e de que todos deveriam votar nele, mas precisa checar 3 vezes se trancou a porta de casa antes de sair.

Eu tenho absoluta convicção de que não tenho condições de falar pra ninguém em quem a pessoa deveria votar, sabe por que? Porque eu sou tão burro que já tenho discurso pronto para quando eu ficar famoso. Dizendo que eu nunca esperava ficar famoso.

A auto dúvida é o maior instrumento que a gente tem para evoluirmos como humanidade. Não se esqueça de que algum dia esse diálogo existiu:

“Eu sei que estamos no ano 3000 antes de cristo, então eu nem deveria saber quem é cristo, mas eu já sei como funciona a consciência! Dependendo do dia em que você nasceu, a posição de alguns pequenos astros específicos, que estão a infinitos quilômetros de nós, e são apenas uma parcela desprezível da quantidade de matéria que existe no universo, definem sua personalidade!”

“CARALHO! VOCÊ É UM GÊNIO! Bora todo mundo acreditar nisso pra sempre! Chamaremos de astrologia!”

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