Era para ser engraçado, ficou só depressivo

Me desculpe caro leitor, sei que esperava ler algo engraçado, mas dessa vez não deu. É tarde, foi o que saiu. Qualquer dia volto para editar e fazê-lo rir ao contemplar essa loucura.

Eu fico impressionado como ainda conseguimos ser pretensiosos a ponto de compartilhar nossas opiniões de como uma sociedade deveria ser gerida, enquanto observamos antepassados, feitos da mesma carne e osso, cometendo erros tão estúpidos nos livros de história.

Empurramos nossas visões de mundo nessa audiência feita de amigos viciados em Facebook (Twitter, Instagram…), com a certeza de que se todos fossem igual a nós o mundo seria finalmente algo bom.

Ao mesmo tempo esquecemos que até 150 anos atrás acreditávamos coletivamente na teoria da geração espontânea, confiávamos que se você juntasse tralha suficiente no depósito da sua casa, um rato simplesmente se materializaria — puft — como um passo de mágica, pelo simples fato de haver suficiente sujeira concentrada naquele espaço.

150 anos são duas velhinhas de 75 colocadas lado a lado, apenas duas vidas não muito longas postas consecutivamente. Há 70 anos colocamos 5 milhões de pessoas em câmaras de gás. Há pouco mais de 20 anos, pusemos fim na guerra fria, conflito que poderia facilmente levar a humanidade 5.000 anos para o passado. Hoje ainda existem bilhões de pessoas que acreditam na porra do homem das nuvens que lê seus pensamentos.

Mas obviamente são tempos diferentes, habitamos uma época extremamente esclarecida, temos certeza absoluta de que somos incrivelmente espertos.

“Vivo no século XXI, tenho acesso a internet e não posso estar errado.
É clara minha frustração e agressividade em relação aos que pensam diferente de mim, pois estou sempre confuso e tenho imensa dificuldade de aceitar que de fato o mundo é injusto, tem pessoas horríveis, guerra, fome e doença. Que o universo acabou se revelando um pedaço de espaço-tempo completamente indiferente ao nosso planetinha e nossos queridos sentimentos.”

Então fazemos coisas terríveis uns aos outros porque não conseguimos aceitar a verdadeira perspectiva.

Somos macaquinhos inteligentes em uma pedra flutuando no nada, tentando sofrer pouco durante nosso tempo acordados.

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.