Texto 2 — A evolução da Web através da perspectiva de mulheres da TI do NIC.br

De instrumento para o acesso e democratização da informação e do conhecimento, a Web tem se transformado cada vez mais em uma plataforma de controle. Cada operação, desde a mais simples — como o mover de um cursor ou um clique — , realizada online hoje é potencialmente coletada, armazenada, processada e comercializada por uma indústria sedenta por perfis os mais acurados possíveis, que aumentarão exponencialmente suas receitas em publicidade “personalizada”. Esses perfis podem indicar se estamos grávidas, identificar nossos hábitos e preferência sexual, nossas crenças religiosas ou políticas, dados sobre a nossa saúde, sem que jamais tenhamos que oferecer qualquer uma dessas informações diretamente. 
 
 Com base no nosso comportamento na web são definidos os produtos que nos serão ofertados, os resultados que encontraremos em nossas buscas na web, os preços de determinados serviços, a possibilidade (ou não) de termos acesso a um crédito bancário, entre outros. Esses perfis — construídos a partir de dados coletados e processados a revelia do nosso consentimento ou das nossas vontades — passam a determinar nossa forma de interagir no mundo. Online e offline, já que os dois mundos cada vez mais se mesclam, com a Internet das Coisas e as cidades “inteligentes” baseadas em sensores, e se retroalimentam. 
 
 Nosso acesso a uma série de espaços e direitos pode ficar ainda mais restrito nesse mundo baseado em dados que não são, de modo algum, neutros. Já são diversas as evidências, inclusive, de preconceitos na forma como esses perfis são utilizados para a tomada de decisões. Não seria supreendente imaginar que nós mulheres, assim como outros grupos mais vulneráveis, estamos mais sujeitas a sofrer ainda mais restrições de direitos justificadas por algoritmos e dados supostamente imparciais. 
 
 O futuro da web necessariamente precisa passar pelo questionamento a esse modelo de sociedade e pela construção de autonomia. Queremos direitos e liberdade de expressão e de pensamento para fazer buscas, acessar URLs ou comprar produtos de nosso interesse sem temer as consequências do vigilantismo do qual historicamente fomos vítimas. 
 
 No dia que marca a luta das mulheres, meu grito é “nossos corpos, nossas regras; nossos pensamentos, nossas regras.”

Por: Jamila Venturini
 Assessora Técnica
 Diretoria de Assessoria às Atividades do CGI.br

Jamila Venturini — Assessora Técnica

Confira os outros depoimentos das mulheres do NIC.br:
Texto 1 — Por Nathalia Patricio — Assessora Técnica
Texto 3 — Por Caroline D’avo — Gerente de Comunicação