Devaneios Noturnos I
Isso não vai dar certo.

Me encontro vagando na internet sem um objetivo certo, em meio a mais uma noite. No entanto, estou no momento que fica insurpotável a troca interminável de abas no navegador, em cada aba, uma rede social diferente. Diferença nenhuma faz, continuo cansado dessa ilusão de estar fazendo algo importante.

Resolvi escrever um texto, nada além disso; uma caneta, uma folha e um começo. Logo de cara penso: “Isso não vai dar certo.”

Honestamente, estou cansando das pessoas falando do quão ruim os pensamentos pessimistas são para integridade da vida. Eu não estava afim de escrever, poderia estar vendo algum filme da minha lista ou terminando de ler algum livro, mas aqui estou — em um desafio — , quebrando alguns padrões pessoais. A minha atual vontade é de arrancar essa folha e arremessar na lixeira do meu quarto, todavia, vou continuar. Se tudo der certo, bom: você está lendo esse texto.

Se eu estivesse no seu lugar, me sentiria em um prefácio de alguma obra. Não é algo bom nem de longe; normalmente o prefácio não é a parte que as pessoas mais gostam.


Nesse momento, um incoveniente fluxo de pensamentos passa a minha mente. Entretanto, um deles me parece interessante comentar: “O modo que os textos vêm sendo escritos e a perda de suas autorias”. Dificilmente encontro pessoas que ainda se preocupam em projetar suas ideias nos textos que produzem, percebo que existe um modelo que está sendo ensinado, o qual faz com que o pensamento individual seja inibido. Deixamos de escrever o que queremos, para escrever o que as pessoas querem ler; escrevendo o que os vestibulares ou concursos requesitam… Como se não fosse suficiente toda a farsa existente no meio social em que vivemos, ela continua, quando apenas têm conosco uma caneta e um papel.


A sociedade tende a evoluir, no entanto, quem está no poder com certeza quer se manter nele. Contudo, como realizar tal façanha no mundo atual? Um príncipe não vai poder te ajudar, mas não tem problema. A resposta vem a tona através da mente; assim como a história dando voltas e voltas, porém, sempre acabando nas mesmas situações(em contextos diferentes). O pensamento sempre é a chave. Primeiramente, as pessoas devem sentir medo, a ponto de questionar a origem de seus pensamentos. Quando o medo não servir mais, proíba-as de expressar pensamentos sem seu aval — selecione os que te convém — ; de modo que, consequentemente, a racionalidade crítica venha a não aparecer ou não se destacar.

A liberdade não se caracteriza em apenas no ser livre, mas também no poder da dominação.

O senso crítico não deve ser permitido, muito menos venerado. O objetivo são as notas, os melhores devem ser reconhecidos.

Se existe algum consenso mundial sobre a vida, com certeza é: ela não é fácil. No entanto, essa afirmação implica em tantas coisas. Não cabe a mim, ou a qualquer pessoa julgar outras pessoas. Poderia considerar no mínino contraditório — hipócrita — eu dizer frases como: “A ignorância é uma benção’’ ou “Os que se afugentam da vida são covardes”. A vida chega a um ponto tão complexo, que assim como Tchekhov dizia:

“O conhecimento não serve de nada, a não ser que se ponha em prática.”

Nesse momento já estou imaginando, pessoas me contradizendo e falando sobre quantas besteiras escrevo. Na realidade, vou ser um pouco mais consciente. De certa forma: não espero mais que dez pessoas lendo esse texto. Devo pedir para alguns amigos avaliarem e derrepente algum “stalker’’ acabe lendo também.

Não considero que esse texto é inútil, me deu uma ajuda na ansiedade que estava sentindo. Talvez, o real motivo desse devaneio nessa noite de sábado. Minha mente continua em um turbilhão de pensamentos, mas agora sinto que estou no controle de volta.

Se você chegou até aqui, já pode sair por aí dizendo que possui um pouco da minha consideração, não imagino ter sido fácil. Acho que lhe devo um obrigado, mas não fique com a auto estima alta. Minhas mãos continuam atadas, assim como as suas.

Até a próxima…