Demência

Junto as mãos numa cortesia franca à babilônia caída. Ao derredor dos ombros tortos de escoliose, dores impulsionam minha ânsia ao ódio de tudo. Demência, é fácil pensar assim; simplificar a bagunça no estômago ou o estranho chacoalhar das mãos. Na busca de respostas ao vazio das perguntas, pinto um quadro que ninguém entende. Demência, o menino já era desbilotado e os pais não educaram direito. Uma pena, tão inteligente!

Ouço com asco nos dentes, escorrendo baba da boca. Eu não sou assim, juro!, tento explicar à minha mãe. Eu posso te fazer feliz, mãezinha, só mais alguns meses e tudo se resolve. Nervosa de tanto chorar, com o cabelo bagunçado e o cigarro apagado, ela me olha com desdém. Me desculpa!, era só o que eu queria gritar. Mas a culpa talvez nem seja minha, as vezes penso assim. Mas só as vezes.

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