Refletindo sobre uma falsa coletividade
O provérbio brasileiro é atemporal e irrestrito a fronteiras geográficas, “farinha pouca, meu pirão primeiro”, porém esta situação pode-se facilmente maquiá-la como bem comum.
Desde os tempos imemoriais, nossa espécie humana nunca foi muito boa em assumir suas faltas, apesar de todo o impulso sociológico moral, não fomos programados naturalmente para sermos altruístas.
Não se trata em discutirmos os motivos do sucesso de um sistema econômico em detrimento de outro, pautado no viés egoísta humanista.
A realidade é que temos graves “bugs” em nossa capacidade de se pôr no lugar do outro, Bloom defende que talvez o grande motivo seria que a vida se tornaria insustentável com o bombardeio de tragédias globais.
Porém independente de dilemas empáticos ou não, nosso instinto de sobrevivência persiste e permutar a própria sobrevivência prevalece, os mesoamericanos sacrificavam conterrâneos a fim de acalmar os Deuses, eis que surgi historicamente a versão “beta” do chocolate, que era utilizado para adoçar o sangue das vítimas.
Numa versão contemporânea de sacrifícios, intitulamos delações premiadas em ambas as situações convenhamos concordar a preocupação com o coletivo há de ser algo secundário o que se busca é exclusivamente salvar a própria pele, atenuando as suas punições.
A proto-sociologia como neologicamente opto por chamar a religião, escolheu eximir as perdas e acertos delegando a um Deus externo a si, logo passamos a delegar a este Deus seguindo o bordão “Deus quis”.
Em suma há uma pseudo preocupação coletiva, no cerne da situação há única e exclusiva preocupação com o indivíduo, justificando o desejo darwiniano de perpetuar-se.
