A relação entre dinheiro e sucesso nas pesquisas eleitorais

O jornalista José Roberto de Toledo estabeleceu em artigo no jornal O Estado de S.Paulo nesta quinta-feira (15) relação entre índice de intenção de votos dos candidatos nas pesquisas eleitorais e recursos arrecadados para a campanha. Segundo sua apuração, quanto mais altos os valores, melhor se posiciona o candidato. Ele não disse, mas é possível perceber que nessa campanha, com proibição de doação por empresas, têm mais recursos para gastar o candidato rico, aquele que já está no poder e tem condições de captar doações de pessoas físicas ou quem recebe doações dos partidos.

Em Goiânia essa relação é parcialmente correta, tendo por base a declaração à Justiça Eleitoral feita pelos candidatos, obrigados a declarar receitas até 72 horas após o depósito de doações em conta bancária. O limite de gastos por candidatos na capital, determinado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é de R$ 5,683 milhões.

Iris Rezende (PMDB) está em primeiro lugar na pesquisa Serpes/O POPULAR, de 11 de setembro. Ele declarou à Justiça (veja gráfico acima) ter recebido até o momento R$ 426.488,50 menos que o segundo, terceiro e quarto colocados nesta última pesquisa. Segundo colocado, Vanderlan declarou recursos de R$ 1.122.821,80 (quase 20% do que tem direito a gastar) e o deputado Waldir Soares (PR), R$ 566.736,20. A deputada Adriana Accorsi declarou mais recursos do que Iris: R$ 553.000,00.

A aparente contradição entre esses valores e a relação do sucesso do candidato nas pesquisas com o dinheiro arrecadado tem uma explicação. Iris entra na categoria dos candidatos mais conhecidos e, por isso, estes podem gastar menos. De acordo com o marqueteiro paulista Carlos Colonnese, o candidato “conhecido, aceito e admirado” tem meio caminho andado para se eleger. Essa condição favorável levou Iris a liderar a pesquisa. No entanto, ele estacionou nas três últimas pesquisas Serpes seja por deficiência em sua campanha, por gastar menos recursos ou a combinação de ambos.

O delegado Waldir é conhecido, mas ainda não é “aceito e admirado” pelos goianienses, daí o investimento na propaganda para construir uma boa imagem. Em seu caso, entretanto, a campanha eleitoral tem tido reação inversa: quanto mais visto na TV mais perdeu pontos entre os eleitores, também de acordo com a mesma pesquisa.

Vanderlan Cardoso é um rico empresário da área alimentícia com patrimônio declarado de R$ 29,8 milhões e tornou-se candidato do governador Marconi Perillo, o que reforça sua estrutura de campanha. Assim, ele declarou ter recebido a maior receita e, não por coincidência, é o que mais cresceu na pesquisa Serpes. A maior doação para a campanha de Vanderlan, R$ 1 milhão, (89,06% do total) foi dele próprio. Os R$ 122 mil restantes vieram do PSB (R$ 100 mil) e de pessoas físicas.

O delegado Waldir recebeu do PR 88,22% (R$ 500 mil) de sua arrecadação. Ele e sua candidata a vice-prefeito, Rose Cruvinel, estão entre os demais doadores. Iris é um rico agropecuarista (patrimônio declarado de R$ 17,9 milhões) e doou apenas R$ 3 mil para sua campanha eleitoral. Segundo sua declaração à Justiça Eleitoral, R$ 294.190,00 (68,98%) vieram de doação de pessoas físicas e R$129.298,50 (30,32%), do PMDB. Adriana Accorsi declarou que R$28.500,00 foram doações de pessoas físicas (sua mãe Lucide Accorsi entre elas) e R$ 500 mil (90,42%) do partido. A candidata também doou R$ 24 mill.

Outros municípios

O empresário Jânio Darrot (PSDB) lidera a pesquisa Serpes em Trindade. Ele recebeu R$ 82.100,00 de recursos, 91,35% (R$ 75 mil) de doação própria. Em segundo lugar, Dr. Antônio (PR) nada declarou até o momento. O ex-prefeito Ricardo Fortunato (PMDB) declarou R$ 39.205,00, 79% são recursos do PMDB.

O candidato a prefeito de Itumbiara, José Gomes da Rocha (PTB), declarou ter recebido apenas R$ 11 mil até o momento de um único doador, Raul Jota dos Santos. Seu adversário, Álvaro Guimarães (PR) doou para sua campanha todo recurso que declarou, R$ 10 mil. José Gomes é um candidato milionário, com patrimônio declarado de R$ 110 milhões e, de acordo com pesquisa Serpes/O POPULAR, de 2 de setembro, estava com 45 pontos de frente de seu adversário.

Em Jataí, o candidato do DEM, Vítor Priori, o quarto candidato mais rico, com patrimônio de R$ 52,9 milhões, declarou ter recebido R$ 136 mil, 92,65% de recursos próprios. Vinícius Luz (PSDB) declarou receita de R$ de R$ 145,5 mil, 37% de recursos próprios. A campanha eleitoral em Catalão é uma das que mais receitas arrecadou, segundo declaração dos candidatos à Justiça Eleitoral. Adib Elias (PMDB) declarou receitas R$ 348.026,63, sendo 58% de recursos próprios. Seu adversário, Jardel Sebba (PSDB) informou ter doado R$ 650.000,00 para a própria campanha. Há muitos outros exemplos, que podem ser conferidos em DivulgaCandContas no TSE.

As novas regras de arrecadação de recursos para campanhas eleitorais permitem doações apenas de pessoas físicas, de fundos partidários e do próprio candidato. Esta eleição será um grande teste desse modelo, que também tem imperfeições, como ao favorecimento do candidato mais rico.

O modelo ideal de financiamento de campanha não existe, mas o Brasil precisa encontrar um mais justo e este, com certeza, não era o que permitia doação de pessoas jurídicas. Afinal, a Lava Jato já deu muitas provas de que as doações até saiam das grandes empresas, mas também que a grande maioria delas tinha negócios com os governos, o que explica porque em toda eleição o candidato situacionista arrecadou mais recursos do que os oposicionistas. E, pior, que muitas doações vieram de recursos desviados do poder público.