ANÁLISE
Pesquisa Datafolha: Perde Lula, perdem as oposições, ganha Marina

Arte da Folha de S.Paulo com dois cenários da disputa presidencial de 2018.

O que dizer da pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial divulgada neste sábado (9)? Embora Lula lidere em um cenário, com Aécio, ele tem a mais alta rejeição (53%), fruto dos escândalos revelados pela Lava Jato. O curioso é que, apesar disso, sua rejeição caiu em relação à pesquisa anterior, e suas intenções de voto subiram.

Já a ex-senadora Marina Silva (Rede) aparece em melhores condições que seus adversários. Ela lidera nos cenários sem Aécio. Entretanto, sua rejeição é baixíssima, se comparada à de Lula: apenas 20% (vale registrar que o porcentual dos eleitores que não votavam nela também subiu cinco pontos porcentuais em relação à pesquisa anterior).
 
 Com rejeição acima de 50%, as chances eleitorais de Lula são improváveis, mas em primeiro lugar nas intenções de voto para presidente ele ainda é forte cabo eleitoral. Apesar da hecatombe política, a pesquisa dá algum alento a Lula. Uma causa provável desse resultado pode ser que manifestações contra o impeachment e em defesa do petista, assim como o discurso de que “não vai ter golpe” reagruparam ao lulismo antigos aliados desgarrados.
 
 Se está ruim para Lula, não está nada bom para a oposição. A rejeição generalizou-se e colou em todos os políticos, que o digam Aécio Neves, Alckmin e José Serra. Eles ganharam pontos porcentuais na rejeição e perderam na intenção de voto. Isso é incrível e confirma a incapacidade dos tucanos de apresentarem um projeto político crível, mesmo no pior momento do petismo e do lulismo.
 
 E não é para menos. Esta semana minha sogra me perguntou, sem malícia alguma: “Cadê o Aécio?”. “É mesmo”, respondi. Ele havia sumido. O tucano reapareceu só no fim de semana, depois de dias de ostracismo no auge dos embates políticos de Temer, Eduardo Cunha e Dilma. Ele está sem palanque e sem discurso.
 
 A pesquisa também sugere que o denuncismo como única estratégia política é uma faca de dois gumes: ela deixa feridos por todos os lados. Ferir de morte o adversário não transforma o denunciante em herói da salvação nacional. Já se foi o tempo em que o eleitor acreditava em político honesto, justo e competente. Hoje só sobraram irritação e profunda descrença. Um bom exemplo é Carlos Lacerda, o maior denunciante de Getúlio Vargas, apoiou o golpe militar de 1964 e foi depois perseguido pelos militares.

Eis algumas das leituras possíveis deste Datafolha que mostra um quadro de fato muito preocupante do momento político brasileiro. Haja vista as intenções de voto do deputado truculento, homofóbico e racista, Jair Bolsonaro. Ele dobrou suas intenções de voto para presidente da República, de 4% para 8%. Resumidamente, o que esta pesquisa revela é quão grave é o retrato político do Brasil depois do tsunami da Lava Jato. A água baixou e parece que ninguém de salvou.

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