Fonte Serpes/O POPULAR em 19/4/05 e 02/4/17

Aprovação de Iris em 2017 é similar à de 2005, mas sua reprovação cresceu

Há 12 anos, apenas um terço da população aprovava a gestão do peemedebista nos cem primeiros dias de governo. Mas aumentaram os índices de reprovação e dos que decidiram emitir opinião

O prefeito de Goiânia, Iris Rezende (PMDB), perdeu a mão para administrar e não tem neste quarto mandato o mesmo desempenho de suas administrações anteriores, como as pessoas têm repetido? À primeira vista esta é impressão da pesquisa Serpes divulgada domingo (2) pelo POPULAR.

Passados cem dias da posse, apenas 36,2% (que acham o governo bom ou ótimo) aprovam a gestão de Iris. Seu governo é reprovado por 22,4% dos entrevistados (ruim e péssimo). Já 8,5% não opinaram. Mas o que dizer da comparação desta pesquisa com a realizada pelo mesmo instituto cem dias depois da posse de Iris em 2005?

Em 19 de abril daquele ano, O POPULAR revelou que 38,75% dos goianienses consideravam boa ou ótima a administração peemedebista, diferença de apenas 2,5 pontos porcentuais, dentro da margem de erro, de 4,9 pontos. Mas se sua aprovação não mudou nos cem primeiros dias das duas administrações como explicar a percepção negativa das pessoas atualmente?

Primeiro pelo esquecimento natural de fatos ocorridos há tantos anos. Mais importante, entretanto, é a influência do momento político no comportamento e no humor da população. Percebe-se nas duas pesquisas a mudança do eleitor. Ele está bem mais crítico

O índice de reprovação do peemedebista (soma de ruim e péssimo) subiu mais 10 pontos porcentuais este ano em comparação com 2005. Passou de 12,5% para 22,4%. Já o porcentual de eleitores que não têm opinião caiu de 13,5% para 8,5%. Retrato desse momento polarizado da conjuntura política pós-impeachment e do escândalo da Lava Jato.

Em 2005 havia grande esperança em relação à administração do peemedebista. Iris substituiu o prefeito Pedro Wilson, que perdera a reeleição em 2004, e tinha o desafio de cumprir sua promessa de resolver a crise do transporte coletivo em seis meses. A expectativa positiva em relação a seu governo chegou a 72,67% antes da posse, segundo pesquisa do Serpes, publicada pelo POPULAR em 22 de dezembro de 2004.

Para cada eleitor com expectativa negativa sobre a futura administração de Iris havia 6,4 com expectativa positiva. Essa relação caiu pela metade cem dias depois da posse, em abril de 2005: para cada pessoa que via negativamente a administração havia 3,12 com visão positiva.

O então prefeito Pedro Wilson também teve dificuldade no teste de popularidade dos cem primeiros dias. Em abril de 2001, ainda segundo o Serpes, 31,92% aprovavam os cem dias do então prefeito Pedro Wilson. Apesar do índice abaixo do de Iris atualmente, apenas 11,23% reprovavam a gestão do petista e 21,98% não quiseram opinar.

O apelo pela saúde

As duas pesquisas do Serpes sobre as gestões de Iris Rezende revelam ainda mudança na demanda da população. Em 2005, saúde era prioridade para 54% dos goianienses, porcentual que subiu para 71,3% em 2017.

O prefeito nomeou para a Secretaria de Saúde a cirurgiã-geral e oncológica, Fátima Mrue, desconhecida no meio político. Na semana passada ela comprou briga com os médicos por conta da renovação no contrato de credenciamento de 480 profissionais e com os políticos. Esticou a corda e depois recuou.

Vereadores e deputados dizem que ela é “cabeça dura” e politicamente insensível. O que ninguém explica é por que os secretários anteriores, com mais jogo de cintura e apoio no meio, deixaram a saúde tornar-se um gravíssimo problema para 71% dos goianienses. Se tem a intenção de cumprir sua promessa eleitoral de fazer a maior gestão de sua vida, não há dúvida de que o prefeito terá de fazer diferença na saúde e não asfaltando bairros, longe das prioridades dos goianienses.

O transporte coletivo, que enfrentava grave crise em 2005 pela entrada no sistema do transporte alternativo, feito por motoristas de vans e micro-ônibus, foi eleito como segunda urgência da época por 38%. Agora o transporte perdeu para a segurança pública (eleita prioridade por 46,4%) o segundo lugar e caiu para 12,2% no ranking da lista de prioridades.

Marconi

O governador Marconi Perillo está com 19,2% de aprovação, contra reprovação de 43,1% dos goianienses. Para 34,7% seu governo é regular e 3% não quiseram opinar. O Serpes não avaliou a gestão do tucano em 2005. Em comparação com pesquisas de 2006, a imagem do tucano registrou piora.

Sua aprovação era de 23% em julho de 2016 e caiu para 21,3% em setembro. A reprovação passou de 41,1% para 40,1% respectivamente. Apesar das variações estarem dentro da margem de erro, é possível falar em queda, pois essa tendência se confirmou em três pesquisas consecutivas. Vale considerar que as sondagens do ano passado coincidiram com o pico da crise política e econômica.

A baixa aprovação do governador tucano é igual à de maio de 2012, durante o escândalo da Operação Monte Carlo que abalou profundamente seu governo. Na época, ele registrou os mesmos 19,2% de aprovação de hoje e 48,9% de reprovação.