Marconi concede entrevista nesta segunda-feira (31) sobre o resultado da eleição | Foto Eduardo Ferreira

Marconi manda quatro recados após resultado do segundo turno

Iris venceu Vanderlan, reforçando a vinculação deste com o governo, rejeitado em pesquisas, mas Marconi afirmou que quem perde ou ganha uma eleição é o candidato

Um dia depois da eleição, o governador Marconi Perillo mandou quatro recados na entrevista coletiva que concedeu nesta segunda-feira (31). O candidato Vanderlan Cardoso (PSB) perdeu sozinho a eleição para Iris Rezende; o vice-governador José Éliton (PSDB) é o candidato natural do PSDB (mas não da base) para a sucessão em 2018; ele não usará o resultado da eleição para fazer reforma em sua equipe; e, por fim, quer disputar as prévias do PSDB para formar a chapa que disputará a presidência da República em 2018.

O candidato do PMDB, Iris Rezende, venceu o segundo turno da eleição neste domingo (30) com 379.318 votos (57,7%). Vanderlan Cardoso (PSB) e coligado com o PSDB do governador recebeu 278.074 votos (42,03%). Novamente a soma dos votos nulos (7,4%), brancos (2,13%) e a abstenção (24,09%, superior à do primeiro turno, que foi de 20,83%) chegou a 33,62%. Foram 246.087 pessoas que não quiseram escolher um dos dois candidatos. Vanderlan acha que perdeu a eleição em função desse alto desinteresse do eleitor, pois considera que não errou nas estratégias de campanha.

Análise da eleição

Um governador bem-humorado e tranquilo disse na entrevista que não teve responsabilidade direta sobre o insucesso de seu candidato nas urnas.

“Eleição é disputada pelo candidato, não pelos apoiadores. Quem ganha ou perde é candidato, que é o centro da campanha”.

Marconi disse que Vanderlan teve “liberdade total” para fazer seus programas eleitorais e que não influenciou nas estratégias de marketing, apesar dos marqueteiros da campanha terem sido Carlos Maranhão e Bráulio Moraes, indicados pelo governador.

Marconi repetiu que Vanderlan deveria ter usado na propaganda eleitoral as obras de seu governo em Goiânia, como os viadutos nas entradas da cidade, o Hugol, entre outras, e que isso o ajudaria a conquistar votos. “Não tivemos oportunidade de oferecer um antídoto”, disse referindo-se às críticas ao governo feita pelo PMDB durante a campanha.

Em entrevista à Rádio 730, na noite de domingo, Vanderlan afirmou que a decisão de não usar obras do governo nem o próprio Marconi não foi sua, mas dos dois marqueteiros do PSDB. “Ninguém entrou [na propaganda]. Podíamos ter colocado Lúcia Vânia [senadora do PSB], deputados, mas eles acharam que eu precisava aparecer mais para me tornar conhecido”.

A última pesquisa Ibope sobre a eleição em Goiânia, divulgada no sábado (29), mostrou que a aprovação ao governo de Marconi está muito baixa. Ele é aprovado por apenas 17% dos goianienses: 4% o consideram ótimo e 13%, bom. Já 42% reprovam a administração estadual (14% acham ruim e 28%, péssima). Para 39% o governo é regular. Apesar das pesquisas, Marconi não admite que essa rejeição tenha atrapalhado a campanha de Vanderlan.

“Se tivéssemos esse problema (rejeição a seu nome) Vanderlan não teria tido 42% dos votos. Eu tive 45% dos votos na capital nas eleições de 2010 e 2014”. Ele ainda ironizou a associação que o PMDB fez entre ele e o candidato Vanderlan Cardoso. “Me colocou numa situação bacana. Não fizeram ataques, apenas falaram da nossa vinculação. E era verdadeira”.

Essa vinculação foi a principal estratégia da campanha de Iris Rezende para a desconstrução de Vanderlan e surtiu efeito, pois a rejeição do candidato do PSB, que era de pouco mais de 12% no início da campanha, chegou à casa dos 30% no final do segundo turno. “O PMDB acertou no marketing”, diz Vanderlan, ao negar que sua campanha tenha cometido erros. “Eles acertam mais”, afirma.

O governador prepara uma reforma em seu secretariado para o início do próximo ano com vistas a formar uma equipe à altura dos grandes desafios que sabe que enfrentará nos últimos dois anos de mandato. Marconi tem confidenciado a aliados que aceitará indicações políticas, mas prefere que os partidos indiquem uma lista de nomes para ele escolher um com perfil de gestor.

Na coletiva desta segunda-feira, o governador sinalizou essa preferência: “Não farei alteração no governo com base no resultado das eleições. O governo é enxuto, tem só 10 secretarias”. Marconi fez essa afirmação ao ser questionado se Vanderlan comporá seu governo. Mas Vanderlan também não pretende decidir seus próximos passos com rapidez. Ele quer resolver pendências que deixou em sua empresa (ele já despachou lá nesta segunda-feira) e só depois conversará com seu pessoal e os novos aliados.

Sucessão em 2018

O vice-governador José Eliton é o candidato natural do PSDB à sucessão de Marconi. Mas não é candidato natural da base. A decisão só será confirmada em 2018. Em outras palavras, José Éliton terá de se viabilizar política e eleitoralmente. Afinal, passou do tempo em que o governador conseguia eleger um vice com pouca expressão política, como fez com Alcides Rodrigues em 2006.

Por fim, o governador expressou um desejo que acalenta há vários anos, o de disputar a eleição presidencial em 2018. Para isso defendeu a realização de prévias no PSDB e afirmou que todos terão oportunidade de disputar as vagas na chapa tucana, citando, entre outros nomes, o de Aécio Neves, de Geraldo Alckmin e o dele.