José Éliton e Marconi Perillo: pesquisa Serpes indica dificuldades para os tucanos/Foto: Assessoria de imprensa

Pesquisa mostra que eleição de Marconi não está garantida

Cileide Alves
Aug 13, 2018 · 5 min read

Serpes/O POPULAR revela ainda que Caiado sustenta a liderança isolada e a dificuldade do governador de crescer

Se tem uma eleição completamente indefinida em Goiás é a de senador. Apesar de a eleição para governador estar aberta (conforme analisarei adiante), há um quadro favorável ao senador Ronaldo Caiado (DEM). O mesmo não acontece na disputa ao Senado. Vejamos.

A pesquisa Serpes/O POPULAR, divulgada neste domingo (12), revela que estão embolados Marconi e Lúcia Vânia (PSB), num primeiro pelotão, e Vanderlan Cardoso (PP) e Jorge Kajuru (PRP), no segundo. De acordo com os dados (as entrevistas foram realizadas entre os dias 6 e 10 de agosto), Marconi Perillo tem 22,8% no primeiro voto (vale lembrar que o eleitor poderá escolher dois senadores nesta eleição) e 8,2% no segundo (total de 31%). Isso significa que de cada mil eleitores (portanto 2 mil votos), Marconi terá 310 votos.

Já a senadora Lúcia Vânia tem 15% e 13,4% no primeiro e segundo votos, respectivamente (soma de 28,4%), ou seja, 280 votos a cada 2 mil votos. Vanderlan Cardoso conseguiu nesta pesquisa 10,7% no primeiro voto e 10,9% no segundo (total de 21,6%), ou 210 votos. Por fim, Kajuru soma 11,9% e 4,9% em cada um dos dois votos. Ele soma 16,8% ou 160 votos de cada 2 mil votos.

Juntos esses quatro primeiros colocados têm 960 votos. O não-voto (quem anularia, votaria em branco ou está indeciso) atinge 31% do eleitorado no primeiro voto e 49,2% no segundo voto, total de 80,2% ou 820 a cada 2 mil votos (não incluí nesta conta os votos dos demais candidatos). Essa simulação com 2 mil votos de mil eleitores, indica que o ex-governador Marconi Perillo não tem sua eleição garantida e que ele precisará muito da campanha para se consolidar na liderança, mirando os eleitores indecisos e os que pretendem se ausentar da eleição ou anular o voto. Terá de trabalhar duro pelo segundo voto, onde está bem mais vulnerável.

O fato de ser o mais conhecido entre todos os candidatos representa, ao mesmo tempo, os pontos fraco e forte de Marconi. Em uma campanha de apenas um mês, ele não precisará gastar tempo para se apresentar ao eleitor. No entanto, ser o mais conhecido e não estar na liderança isolada significa que o eleitorado pode estar convicto de não votar nele maciçamente, como fez em 2006 (em agosto daquele ano Marconi tinha mais de 70% das intenções de voto), pelo cansaço de seus 20 anos no poder. Vale ressaltar que a rejeição atual na pesquisa não será empecilho a nenhum candidato, nem mesmo para o tucano, rejeitado por 30% dos eleitores, o maior índice entre os candidatos ao Senado. A rejeição só é preocupante quando ultrapassa os 50%.

Governador tem dura batalha

A disputa para o governo de Goiás apresenta um quadro estável. Ronaldo Caiado está com 39,8% das intenções de voto (ele tinha 38% em junho e 39,7% em julho). O governador José Éliton (PSDB) estabilizou-se no mesmo índice de dois meses atrás. Está sofrendo, também, porque há outras razões, do mesmo desgaste de 20 anos de poder de seu grupo. Éliton apareceu agora com 9,9% da preferência do eleitorado contra 10% de junho (tinha 6,7% em abril).

Daniel Vilela (MDB) continua estável, mas, diferentemente do governador, com oscilação positiva, porque dentro da margem de erro 3,5 pontos porcentuais: passou de 5,6% (em junho) para 8,6% agora (ele tinha 6,2% em abril).

Kátia Maria (PT) está com 2,9% (oscilação negativa, pois tinha 4,6% em junho). Wesley Garcia (PSOL) e Marcelo Lira (PCB) somam 2,9% dos votos. Segundo o Serpes, 16,6% pretendem anular o voto e 19,4% estão indecisos. Uma soma de 35,6% de não voto.

Esse fotograma das intenções de votos indica que Caiado venceria no primeiro turno se a eleição fosse neste início de agosto. Ele tem 63% dos votos válidos (soma de votos de todos os candidatos). Para vencer na primeira fase da disputa, precisa de 50% mais 1. As pesquisas mostram Caiado estacionado no mesmo porcentual de eleitores desde o início do ano. Sua fragilidade é não romper seu próprio teto, mas, é bom que se diga, ele também não caiu dele. Precisará administrar esse teto na campanha eleitoral e, também, mirar o não voto, na casa de 36%.

Já os adversários de Caiado terão de lutar, juntos, para conseguir avançar 14 pontos porcentuais (eles somam 37% dos votos válidos) para garantirem o segundo turno. Para isso, o governador precisará conquistar em apenas um mês de campanha o que não conseguiu nos últimos dois meses, chegar a 20% dos votos, índice que Alcides Rodrigues já tinha nesta mesma época do ano em 2006. Tarefa bem difícil para quem tem apenas 9,9% dos votos, pois significa dobrar a própria marca.

José Éliton terá ainda de torcer (e não será surpresa se ele ajudar indiretamente) para Daniel Vilela chegar a pelo menos 15% das intenções de voto e Kátia Maria, a 5%. Se eles passarem desses porcentuais será, claro, um problema para o governador. Kátia sonha com o eleitorado lulista (segundo o Serpes o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é líder da disputa em Goiás para a Presidência da República).

Daniel Vilela buscará o tradicional eleitorado de seu partido (na faixa de 25%) e apostará na imagem de novo, na idade, é bom que se diga. Os três certamente vão mirar os eleitores de Caiado, por isso o senador será alvo de ataques, e no não-voto. A eleição para governador está bem aberta, mas com franco favoritismo de Caiado, mostra essa terceira rodada da pesquisa Serpes. Assim começa a campanha eleitoral nesta quarta-feira (15).

Cileide Alves

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Jornalista, especializada em política, e mestre em História pela Universidade Federal de Goiás. Apresentadora na Rádio Sagres 730. cileide.alves@gmail.com