Bloquinho é o caralho
Entramos no reinado de Momo e se pra quem é do bonde do rei a farra é um estado de espírito, no oficialesco festejo de boas e bloquinhos o Carnaval sem negros é a realidade que vai de céus na terra a projetos de afoxé! Que os bailes da Zona Sul do Balneário, permeados pela “juventude odara”, cheia de tendências e referências e desconstruções brilhem — onde há tudo, menos samba e marchinhas.
Eu, sozinho (jamais!), com os pés no chão, sigo o único rei que amei em busca dos embaixadores e dos carnavais que não têm patrocínio, não figuram em listas de portais e nem precisam arrastar multidões. Levo o coração sangrando em confete e serpentina e a fantasia desnecessária: o que comove o sorriso é a lágrima das notas iniciais daquela marchinha e a memória passada de que o presente vai manter vivo o futuro das nossas paixões.
Façam o seu Carnaval sem negros, sem samba, sem raíz e brilhem na tela da tevê, nos crowdfundings voadores e nos likes de suas redes sociais! Eu vou ajudar na entrada do carro alegórico na Sapucaí; desafinar puxando meu samba predileto no batuque desordenado de uma dúzia de amigos e desconhecidos no meio da madrugada; vou gritar o orgulho de ser negro — pai, filho e dono do Carnaval.
Zona Norte! Centro! Favelas! Malandragem! O Carnaval é (n)a rua! E lá eu estarei, caciqueando com a alegria; com a saudade; com a tristeza; com a esperança; com o medo; com o amor; com a ilusão; com o samba!
Meu brinde! Axé!