O que eu aprendi fazendo eventos…
…Na Superlógica

2016 foi, pessoalmente, o melhor ano da minha vida. Pela primeira vez eu estava plena e feliz por tudo que eu tinha, e não preocupada com o que eu não tinha e como ia ganhar. E é justamente quando você pára de procurar e abre seu coração para o que quer que o Universo te mande, que eu acredito que coisas mágicas acontecem. E a Superlógica aconteceu assim.
Além de muitas coisas e conquistas, eu tinha uma empresa, algo que eu construí para fazer a coisa que mais amo no mundo: eventos, mas que por alguns motivos que só vim a identificar depois, não estava decolando. Nem sempre fazer o que ama por si só é garantia de sucesso, afinal, eu sabia muito de eventos (tinha mais de 300 na bagagem), mas não sabia bulhufas de como tocar uma empresa, e muito menos de como fazer ela crescer.
Depois eu vim a saber: o meu produto não era repetível, e nem escalável, o modelo de negócio não era apto a crescer. Se falasse em mais de 20% ao ano meus sócios caiam da cadeira, e com razão. Do jeito que estávamos fazendo, estávamos fadados ao fracasso.
Eu tinha acabado de abrir mão do gerenciamento e decisões estratégicas, para assumir uma posição mais operacional, e o convite da Superlógica veio, e eu, sem muito a perder e com muito a aprender, aceitei de coração aberto. A proposta era fazer 1 grande evento, ainda sem nome, o primeiro focado 100% para o mercado SaaS.
Estamos fazendo 130. E as expectativas são altíssimas.
O que eu aprendi (e continuo aprendendo) até aqui:
Acorde todo dia apaixonado pelo que faz
Não importam os problemas que vão surgir, os sapos que vai engolir, as buchas que vão cair no seu colo pra resolver aquele dia. Se você ama o que faz, você vai xingar, vai reclamar até, mas vai terminar o dia com uma sensação impagável de dever cumprido. Uma satisfação que eu não sei bem ao certo descrever, mas que é bem próximo de um calorzinho no coração. Se você não sabe do que eu estou falando, ou pior, se você tem certeza que não ama o que faz, você está fazendo algo errado da sua vida.
Começo com essa lição porque ela é uma premissa básica tudo que vem a seguir.
Nem todo mundo (ou quase ninguém) entende o que você faz
Afinal, é uma empresa de tecnologia, com pessoas fodas em tecnologia, desenvolvedores fodas, administradores fodas, vendedores de software fodas. Mas aceite, eles não sabem bulhufas sobre fazer eventos, muitos nem sequer entendem o porquê gastar dinheiro com isso. Não seja tão crítico. Não julgue. Ouça com carinho as sugestões mais absurdas. Peça ajuda mesmo quando não precise para que todos se sintam envolvidos no processo. Convide-os, faça questão de fazer todo mundo se sentir bem vindo nos eventos. Construa aos poucos no coração das pessoas esse entendimento, plante sementinhas e talvez eles um dia tenham o mesmo carinho por eventos que você.
Encontre e confie em alguém que acredita no que você faz
Você precisa de ajuda para convencer os outros. Não se ache o bonzão que faz tudo sozinho. E você precisa de crédito político interno e externo para fazer um bom evento. Alguém precisa comprar suas idéias, e defendê-las quando você for só a garota nova que chegou para gastar dinheiro. (Obrigada Moura, Balds, Cera. Eu confio em vocês de olhos fechados e agradeço a confiança em mim).
Peça ajuda
Tem coisas que você não sabe fazer. Tem coisas que você não é capaz de resolver sozinho. Não queira abraçar o mundo. Delegue, confie, brigue por uma contratação se for preciso. Monte uma equipe. Se cerque de gente que também ame o que faz, e que se não forem tão especialistas quanto você, que tenham sede de aprender. E que aprendam rápido, porque as coisas acontecem na velocidade da luz numa empresa de tecnologia.
Não aceite nada menos que ser FODA
Isso é com certeza o que eu mais me identifiquei na cultura da Superlógica. No mundo normal, no mercado normal, as pessoas se contentam, ficam satisfeitas se tudo estiver dentro de uma medíocre qualidade. Trabalhei em empresas que a lei era literalmente faça o mínimo para cumprir tabela e nem um centavo a mais. Eu nunca aceitei isso, e estar numa empresa que também não aceita é como estar em casa, como encontrar um planeta cheio de gente estranha como eu, focada em ser FODA. Se ajudando a ser FODA. Se isso não é mágica, não saberia do que chamar.
Conecte-se ao seu mercado
Você não está mais fazendo evento B2C, e as pessoas não vão ficar felizes só com cerveja e música boa. Elas precisam de conteúdo. E conteúdo adequado ao mercado, a realidade em que elas estão inseridas. Estude, pesquise, aprenda todos os jargões, comunique-se com a empresa, não só com a pessoa.
Mas não esqueça-se das pessoas
Afinal ninguém aprende tudo que pode aprender com uma palestra de 2h, se estiver com fome. Lição 1 sobre seres humanos: as necessidades do corpo tem prioridade sobre as necessidades da mente.
Sim, seu coração será partido às vezes
Por mais apaixonada que você esteja pela sua empresa, e pelo que você faz nela, às vezes você vai se magoar, às vezes você vai querer sair pela porta e nunca mais voltar, você vai até odiar tudo e todos por alguns momentos. Não deixe a mágoa corromper seu comprometimento. Não desista no primeiro tapa na cara. Não leve para o pessoal, não guarde rancor. Se possível, faça amigos na empresa, o carinho e apoio deles vai ser muito importante nos momentos de dúvida ou estresse. Extravase, xingue, encha a cara depois do expediente, lave a roupa suja, peça um abraço. As coisas são muito mais intensas numa empresa como a Superlógica, mas são também mais transparentes e óbvias. Para que odiar seu chefe passivo-agressivamente durante anos se você pode mandar ele praquele lugar e 5 min depois voltarem a serem amigos, sem perder o respeito um pelo outro?
Dedicação exclusiva (ou quase) é necessária
Talvez isso seja mais da minha índole do que uma demanda da Superlógica, mas minha empresa foi fechada (mantive só os top clientes e só por tempo suficiente para finalizar o contrato sem queimar meu filme), vida pessoal sempre vai estar um pouquinho de lado enquanto eu não atinjo meus objetivos profissionais (desculpem amigos e potenciais namorados que me chamam pra sair toda semana e eu estou ocupada, eu tô mesmo), bater ponto é uma ilusão pois terá trabalho enquanto você estiver de olhos abertos. Responder e-mail/skype/facebook a meia noite? bem, pode ser a diferença entre um probleminha virar um problemão. Dormir também é uma ilusão (hoje é domingo e passei a noite sonhando que acabava a energia no Xperience). 30 dias antes de um grande evento, seu cérebro vai entrar no modo dedicação total por causa da adrenalina. Curta essa onda, sem bad trips.
Enfim, poderia continuar ad infinitum, mas tenho muito trabalho para fazer. O maior desafio se aproxima, e o desafio não será fazer um evento com tudo que ele precisa ter, gente bem alimentada e feliz, estrutura impecável, cerveja gelada, conteúdo de primeira, mas talvez lidar com todas as expectativas, ansiedades, nervosismos, de tirar a virgindade de eventos da Superlógica. Até agora só tivemos preliminares, babies. ;)
Que venha o Xperience. Eu to pronta para entregar o melhor evento da minha vida, até agora.
