Django Girls Porto Alegre: afinal, o que que eu tô fazendo da minha vida?

Existe aquele momento muito louco da sua vida em que você percebe que sua história já pode ser contada em décadas — assim, no plural. Décadas. Estou prestes a completar 30 anos. Quando eu lembro de mim mesma dez anos atrás, não penso em uma jovenzinha de ensino médio, muito menos em uma menininha brincando no recreio com os coleguinhas.

Dez anos atrás eu já era uma adulta. Dez anos atrás eu já estava na faculdade.

E eu acho que quem ainda não chegou nesse momento não tem a menor ideia do quanto isso é louco.

É assustador perceber o quanto o tempo passa, e mais assustador ainda pensar em todas as coisas que eu posso estar deixando pra trás por “não ter mais idade pra isso”.

Torschlusspanik”. Será possível que esses alemães realmente tem palavra pra tudo?

Quando falo isso sempre tem alguém pra dizer “ain, nada a ver, idade não significa nada, cada pessoa tem seu tempo!”. Pior é ter que ouvir isso de gente mais nova que eu e muito mais encaminhada na vida. Sério, pfvr. Cala a boca. Todo mundo sabe que o mundo não é assim tão bacana quanto as tuas boas intenções.

O que acontece é que eu penso em mim mesma nos último dez anos e não tenho a menor ideia do que aconteceu com eles. Pra onde foram esses anos? Que que eu fiz durante todo esse tempo?

A verdade é que eu nunca tive a menor ideia do que fazer da minha vida.

Tá. E o que o Django Girls tem a ver com isso?

Tudo.

Olha eu aliiiii!!!!!!!

Ano passado, quando eu comecei a aprender a programar, não demorou muito pra me desanimar: as aulas são chatas, não sou muito próxima dos meus colegas, não tinha dentro de mim muito ânimo pra me dedicar aos estudos. Até que aconteceu o Rails Girls, e algo em mim acendeu. E eu pensei de verdade: achei algo que eu quero, algo que eu gosto, algum lugar que eu sinto que pertenço.

Foi por isso que eu entrei pro Pyladies. Foi por isso que eu fui treinadora no Django Girls PoA desse ano. É por isso que eu quero continuar nessa vida e poder conhecer e contar cada vez mais com mulheres incríveis e inspiradoras que tive o prazer de conhecer nessa (ainda) curta jornada.

E quem sabe? Um dia me tornar também uma mulher incrível e inspiradora pra alguém.

Eu não posso voltar atrás e recuperar os anos “perdidos”. Mas posso olhar pra frente e pensar “o que eu vou estar fazendo nos próximos 10 anos?”. E a verdade, verdade verdadeira, é: eu ainda não tenho lá muita certeza. Mas isso — esses eventos, essas pessoas, essas oportunidades de poder ajudar e levar esse conhecimento a pessoas que sabem menos que eu — é algo que não abro mão.

A passagem do tempo é algo muito loka, cara. Mas pela primeira vez em muito tempo, ela não me assusta mais tanto. ;)