Não sou mais

Não sou mais a mesma

nem que queira não sou mais

sou a mistura das minhas sujeições

atitudes, escolhas, opções

sou um misto das oportunidades que perdi

Não sou mais a que querem

sou a mescla das minhas omissões

e das omissões ao que não vivi

das mentiras que me contaram

e das que tive que contar para me garantir

Não sou mais aquela que eu era

nem em sonho volto a ser assim

o vento soprou minhas velas

eu já colhi invernos e primaveras

e me despetalei em outonos de jasmins

Não existe mais a que conheceram

não existe mais em mim

o que há é o que sou agora

que poderá ter mudado em uma hora

mas que pode permanecer sem mudança

por tempo sem fim

Não sou mais aquela com os pés no chão

tenho a cabeça nas nuvens

e os pés firmes em alguma constelação

vivo de fantasias e água de cheiro

sorrio com histórias de amor

e pão de queijo mineiro

e estou sempre entretida com as nuvens

formando imagens comestíveis de algodão

Like what you read? Give Cleonice a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.