Introdução ao Feminismo nos dias atuais

Para entender esse movimento social tão polêmico atualmente, em primeiro lugar, cabe conceituar o termo “feminismo”.

Assim como vários outros termos referentes a movimentos sociais, momentos históricos, correntes políticas, teorias econômicas, é um conceito complexo, ligado a muitos outros conceitos, e pode conter diversos significados dentro de si. Há muitas possíveis definições de feminismo e ao mesmo tempo há um consenso que aponta para um significado ‘original’, ou seja, próximo da origem do termo.

Para buscar esse significado, podemos contextualizar historicamente o termo. Segundo a New World Encyclopedia, o termo “feminismo” tem sua origem na palavra francesa “feminisme”, que teria sido cunhada pelo socialista utópico Charles Fourier, e foi usada pela primeira vez em inglês da década de 1890, associado ao movimento por direitos iguais para as mulheres política e legalmente. 
 No dicionário online da Universidade de Cambridge, o verbete se limita a definir o termo dentro do assunto “história mundial” como “esforço organizado para dar às mulheres os mesmos direitos econômicos, sociais e políticos dos quais dispõem homens.

É importante ressaltar que o feminismo como assunto é muito amplo e tem diversos subtemas, enquanto o significado é uma espécie de conceito geral, e a palavra é utilizada para definir os esforços de mulheres através da história em função de adquirir autonomia de direitos, expressão, pensamento. 
 Além disso, antes do uso de “feminismo” se tornar comum e antes de haver um movimento feminino articulado, já existiam defensores da igualdade entre os gêneros. Entre tais defensores se encontra, por exemplo, o pensador John Stuart Mill, que defende em seu texto “A Sujeição das Mulheres” (The Subjection of Women é o título original) que a subordinação legal de um sexo a outro é errada em si, e um dos maiores obstáculos para o desenvolvimento humano. Mill escreveu o texto com a co-autoria de sua esposa, Harriet Taylor Mill, que era filósofa e ativista dos direitos femininos.

Ainda que o feminismo seja um produto do século XIX, entre seus avanços e retrocessos, mas a luta pela igualdade entre os gêneros não é um fenômeno recente, tampouco pertence apenas à modernidade.
 Um exemplo do qual se tem registro é Christine de Pisan, que foi uma escritora italiana da corte real francesa, que viveu entre 1364 e 1430, e escreveu acerca da desigualdade entre homens e mulheres, como no seguinte trecho:

“Se mandar meninas pequenas para a escola e ensiná-las todos os tipos de assuntos diferentes lá fosse uma tradição, assim como se faz com meninos pequenos, elas conseguiriam dominar e aprender as dificuldades de todas as artes e ciências tão facilmente quanto os meninos.”

Podemos disso concluir que entender o movimento da luta pelos direitos das mulheres estritamente como feminismo restringe as possibilidades de compreensão da busca por igualdade de gênero no panorama histórico e social. 
 Ao mesmo tempo em que ver o feminismo como único esforço pela igualdade entre homens e mulheres resulta em uma perspectiva limitada, é preciso também ampliar o próprio conceito do feminismo ao tratar dessa causa como um todo, já que é um termo que abarca uma grande complexidade.
 Dentro do feminismo podemos identificar diferentes modalidades de estudos, formas de organização, vertentes, dissidências, associações políticas, contextos históricos, detalhes geográficos, particularidades de pensamento, sistemas de ativismo e militância, conflitos de interesse e, é claro, diferentes representantes do movimento, visto que toda mulher que se afirma como feminista está utilizando o feminismo para representar a si mesma como indivíduo a favor da igualdade de gêneros. 
 
Deve-se atentar para o fato de que quando é feita uma crítica ao “feminismo”, usando-se vagamente esse termo e sem apontar dentro do feminismo uma vertente, um grupo, uma personalidade, se está criticando a idéia geral, a luta das mulheres pelos seus direitos equivalentes aos dos homens. Para criticar essa idéia, é necessário ao menos ter uma visão abrangente do que ela representou e ainda representa para a história da humanidade, e não significados subjetivos que possam advir de interpretações pessoais em situações pontuais.

Tendo sido feitos os esclarecimentos necessários, deixo aos que pretendem criticar o feminismo com sensatez uma lista de vertentes que é possível estudar:

  • feminismo liberal
  • feminismo negro
  • feminismo libertário/individualista
  • feminismo marxista
  • feminismo radical
  • feminismo pós-moderno
  • ecofeminismo
  • transfeminismo
  • feminismo interseccional
  • feminismo global
  • pós-feminismo
  • xenofeminismo

É necessário comentar que apoiar uma vertente não exclui a possibilidade de estudar e entender as outras. Destaco, por fim, que é muito importante buscar compreender as motivações de quem pensa diferente quando o assunto são causas sociais.

Bibliografia:

http://www.newworldencyclopedia.org/entry/Feminism

http://dictionary.cambridge.org/us/dictionary/english/feminism

http://departments.kings.edu/womens_history/chrisdp.html

http://www.wikigender.org/wiki/history-of-the-movement-for-gender-equality/

http://www.gender-focus.com/2010/11/13/feminisms-101/

http://www.sascwr.org/files/www/resources_pdfs/feminism/Definitions_of_Branches_of_Feminisn.pdf

http://www.indunamag.com/read/7-types-of-feminism/16/2/2015

http://www.earlhamsociologypages.co.uk/Varieties%20of%20feminism.html