CRISE?

Gotinhas de Superação

Ouvi dizer que a resiliência é o poder de aplicarmos alegria de viver a conta-gotas na nossa vida em crise. Gostei. Concordo. No levantar sacrificado depois de uma queda ela é a gotícula de esperança, que parece desaparecer quando vem uma nova queda. E quando essas pancadas são uma atrás da outra, então….

A isso também podemos chamar de fé? De garra? De coragem? Sim. Depende do sentimento que nos invade ao aplicarmos a gota de alegria de viver: se a pancada vem e levantamos acreditando que existe algo maior que nos ajuda; se somos lutadores contra o obstáculo; ou se não temos medo de levantar e enfrentar a situação inimiga naquele momento.

Certo é que, amarga ou doce a gotinha de remédio, ela deve ser tomada!

Em momentos de crise, o apenas ouvir falar já reverbera no âmago de cada um. A palavra crise, então, solta como pena, voa.

Nesse voar vai a pena-crise adentrando na vida de cada um, nas famílias e nas instituições. O abalo ramifica suas conexões e o linguajar comum torna-se depressivo, afundando nos corações a tristeza corrosiva e no estômago o medo do porvir.

A compreensão de si, a compreensão do contexto, dos atores envolvidos, das circunstâncias da crise como um todo, já é o primeiro passo de ajuda na absorção da gotinha de fé, de coragem ou da garra tão necessárias à superação.

A crise é financeira? Entenda o porquê do momento econômico, os atores interessados, as novas perspectivas de negócios (novos inventos, serviços, etc). Informe-se e situe-se.

A crise é pessoal? Analise o círculo relacional: você, os indivíduos desse círculo, interesses, atitudes, simpatias/antipatias. Compreenda, mude, adapte, perdoe, etc.

Muito embora tempo e espaço sejam conceitos da nossa consciência objetiva, é possível utilizar os dois para saber usufruir tudo que está disponível no Universo.

Perceba-se no tempo — para saber quanto pode dispor dele para ter sucesso e ser feliz ao mesmo tempo (é possível, sabia?).

Perceba-se no espaço — para reconhecer o quanto os recursos (materiais e humanos) para o sucesso estão próximos ou distantes de você.

Some espaço ao tempo e zás! Vá pedir, vá comprar, vá trocar, vá ensinar, vá aprender. Ou melhor, vá pedindo, vá comprando, vá estudando, vá ensinando, vá se chegando, vá se mostrando, vá se juntando de gota em gota de alegria, de coragem ou de fé ao grande manancial da abundância onde faz parte o seu sucesso!

Aplique a humildade e peça ajuda; aos céus, aos amigos, aos conhecidos e desconhecidos. O pedir já é uma gotinha. Existe sempre um Zé Gotinha que ajuda indicando seu trabalho/sua empresa; uma Maria Gotinha que tem sobras de material e vai ofertar; ou um João Gotinha desconhecido que ouviu falar de você e propõe uma parceria. Se não aparecer e não falar, não se expor, ninguém saberá!

Há quem diga que melhor resguardar um sonho, um projeto, para evitar a concorrência e a inveja. Mas como obter ajuda se ninguém sabe do que você precisa? O mundo está cheio de gente boa, amiga, que ajuda para ver a alegria do outro e se sentir feliz com isso.

Se pedir é exercitar humildade, e o exercício é uma gotinha do remédio no caminho da superação, imagine a delícia de gotinha que é receber!!!

Ser resiliente, pois, não é ser condescendente com pessoas ou situações que firam o que consideramos nosso mínimo ético. Superação com resiliência não é esperar passar a crise para pensar o recomeçar. Pode ser tarde demais!

Ser resiliente é seguir com firmeza todo o difícil percurso do ciclo momentâneo da intensa dificuldade e fazer desse trajeto um caminho mais leve e esperançoso na chegada final. Um caminho alternado entre dar e receber.

E nessa vida de dar e receber, as crises passam. Os ciclos se renovam, em tudo e para todos. E a superação, agora visível, só fora possível porque fomos compreendendo e assumindo nossa posição de coachs da nossa própria vida.