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Somos Todos Liberdade de Expressão

Quando não se esperava que a liberdade de expressão fosse um valor passível de ser posto em causa, o pior aconteceu. Um atentado ao jornal satírico francês “Charlie Hebdo” matou 12 pessoas e fez muitos duvidar de um dos valores fundamentais das democracias modernas.

No Dia Internacional da Liberdade de Imprensa, o ComUM recupera o momento, para lembrar que o apoio à liberdade de expressão e de imprensa imperara acima de qualquer cor, raça, religião, etnia e partido político.

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Em pleno século XXI, a liberdade de expressão sofreu um dos maiores ataques de que há memória. A 7 de Janeiro de 2015, no país que lutou e projetou para o mundo a declaração dos direitos humanos, Saïd e Chérif Kouachi perpetuaram o atentado ao jornal satírico francês, Charlie Hebdo, vitimando 12 pessoas. Entre as vítimas estavam Cabu, Wolinski, Charb, Tignous, Honoré, Bernard Maris, Elsa Cayat e Mustapha Ourrad. Se para uns eram desconhecidos, para outros eram o rosto de uma França livre.

Na quarta-feira do atentado, precisamente no dia que saiu para as bancas mais uma edição do jornal francês, o cartoonista Charb parecia prever o atentado ao publicar um cartoon com a mensagem “França continua sem atentados”. “esperem — diz o jiadista — podemos fazer os nossos votos até ao final de janeiro”.

A coincidência que surgiu disfarçada de premeditação entupiu as redes sociais e as ruas de várias cidades do mundo com mensagens de apoio ao jornal francês. À velocidade das redes, e de lápis em riste, a mensagem “Je suis Charlie” tornou-se símbolo daqueles que lutam pela liberdade de expressão.

Charlie: o jornal do humor ácido e assumidamente de esquerda, aquele que já publicara caricaturas do profeta Maomé e que foi alvo de dezenas de processos judiciais.

Aquele mesmo que, sem medo de por o dedo na ferida, não olhava a credos nem opções políticas para erguer o lápis e retratar a atualidade de uma forma livre e diferente.

Aquele que tinha agora a sua redação diminuída à dor de perder aqueles que eram o rosto de uma França provocadora, sempre contra o politicamente correto e, acima de tudo, livre de o fazer.

Em fevereiro, precisamente um mês depois do atentado, ainda era visível por toda a França a dor de um país que não esperava um ataque desta dimensão. Todas as cidades francesas começaram a ser vigiadas por militares com medo de sofrerem outro possível ataque. As ruas de Paris ganharam novos “turistas” de fatos verdes e armas na mão, para salvaguardar a cidade de um possível novo ataque.

Estelle Basto, filha de emigrantes portugueses, cresceu a ver os desenhos de Cabu. Enquanto mostrava uma edição do Charlie Hebdo, não escondia a revolta e o medo ao falar dos atentados, “isto foi como um 11 de setembro para nós, estamos desolados”.

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No local do atentado, milhares de mensagens estavam espalhadas pelo chão, nas paredes e no rosto de quem por lá passava. Também precisamente um mês depois, um novo atentado desta vez na Dinamarca enquanto decorria um debate sobre o islamismo e a liberdade de expressão, fez milhares de pessoas dirigirem-se novamente ao “Charlie Hebdo” para recordar o ataque que abalou o mundo e para se mostrarem solidários com o povo dinamarquês. A estacão televisiva francesa TF1, estava no local e em direto para gravar as mensagens que estavam a ser deixadas à Dinamarca. Ouviam-se pessoas a perguntar “o que se passa com este mundo?” ou “porque estão a fazer isto?”.

O pesadelo não parecia acabar.

Três meses depois do atentado, o debate continua para lutar pela liberdade de expressão e pela livre circulação de pensamento na imprensa. Muitas coisas foram postas em causa desde os ataques e milhares de pessoas defenderam que algo devia ser feito. Com a morte destes jornalistas, um novo debate prevaleceu no mundo e uniu milhares de pessoas, partidos políticos e religiões. Não significou uma reviravolta, mas pelo menos voltou-se a reflectir sobre o valor da liberdade de imprensa.

E não haverá melhor forma de lembrar as vítimas do Charlie Hebdo.

Texto e Fotografia: Sara Marilda

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Jornal online dos alunos de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho

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