A felicidade imaginada

Aprendi que estar só pode não ser egoísmo, tampouco solidão, pode ser a busca pela transformação

Entendi que a felicidade jamais será plena e que a morte sempre chega

É possível ser feliz só?

Compreendi que a felicidade só será completa quando deixar de ser, quando o ultimo suspiro esvaziar meu ser

Aprendi que morrer é sim uma passagem, que pode ser uma viagem e que a morte é uma ligação

Da gente com o coração, dos outros

Entendi que ser feliz, estar só e morrer, são ações que podem paralelamente acontecer

Compreendi que necessariamente se morre só, mas se morre feliz

Vida!

Aquela última razão, uma lembrança, um arrependimento, aquele último sentimento, não estarão, nunca, acompanhados de tristeza, esqueça

Luta!

Conclui que morte é revolução, não em si, mas nos outros

Revolução é vida, vida é passagem e a morte é a certeza de que há felicidade

A felicidade nunca virá de dentro. Dentro é o fim. Felicidade vem dos outros, é para os outros, tu vai ver, vai ser assim

Felicidade é morrer sozinho, na certeza de ter lutado pelo todo durante o caminho e com a ambição de mostrar a qualquer vento, que a felicidade é apenas um momento, que acaba em mim, mas renasce, no outro, e se vai de novo, sem aperto

Não há como voltar no tempo e refazer o que foi feito, essa é a dor que machuca o peito e só resta o lamento

É preciso ser feliz enquanto há tempo, sem ressentimento e sem arrependimento

Um dia se nasce, no outro fica só o vento

A solidão é um indício de que a felicidade chegou com alento mas que ali não havia mais nenhum batimento