Eleva-dor
Vi escrito certa feita,
dentro de um elevador,
que o elevador elava a dor.
Hoje quando me despedia de minha Avó,
depois que a porta se fechou,
me senti sozinho.
Mas foi pior: me senti preso, doeu!
Mesmo em movimento meu corpo parou.
O elevador é um lugar triste, senão, vejamos:
Lá estamos presos;
Na maioria das vezes sozinhos;
Se acompanhados, quase sempre por estranhos;
E o pior: o estranho pode ser nosso vizinho;
Um cumprimento raso, frio, sem calor.
Percebi que quanto mais andares,
mais dor.
Um amigo me disse:
O mais alto que deveríamos ir é ao topo de uma árvore ou de uma montanha.
Refleti.
Compreendi que odeio elevadores, mais…
odeio prédios.
Prédios não são naturais, elevadores muito menos.
Se há prédios, há elevador.
E se o elevador eleva a dor… fujo!
Não nego as cidades, os prédios, os carros, os elevadores…
Mas é como um dia me disse Dona Dolores:
Quanto mais horizontal, verde,
sem grades e sem paredes for a paisagem…
mais livre, leve e iluminada será nossa passagem.