Dos outros

Lucas Vinicius
Aug 31, 2018 · 3 min read

O metrô está a mesma coisa de sempre. Pessoas suadas e cansadas. Posso ouvir a mente de cada um pedindo pelo fim de semana. Comigo não é diferente — Quero nossa cama.
Paramos e ficamos sem energia há umas 6 estações da que eu irei descer. Te escrevo do passado. Você não me ligou ontem, e aqui está do jeito catastrófico de sempre, eu me esforçando para recordar de tudo que posso, escrevendo sempre que posso. Já o terceiro rabisco desde que entrei no metrô.
Sabe aquela minha amiga? — Aquela que te contei umas histórias engraçadas... Ela está um caos! Tenho que me esforçar para catar caco por caco. E estar lá quando ela precisar.

E sabe aquele amigo que te contei as mais belas histórias? Encontrou alguém que lhe arrancasse a decência de um ser humano, está vagando e perdendo a essência. E há quem fale.
O clima aqui está terrível como sempre. Dias ensolarados cheios de suor e desodorante barato. Tenho bebido água mais que o normal, e lembrado que preciso ficar bem.
Não tomo mais aquele remédio das 18:00. Agora só os das duas. Tenho visto minha melhor amiga pelo menos uma vez a cada duas semanas. Ela está bem como sempre, ou ao menos fingindo bem. Ela continua sem se permitir sentir o melhor da vida. Segue fechando a cada dia mais o coração. Ela não percebe. Me preocupo mas não digo nada. Cúmplice.
Cada um sabe o coração que cria.
Meus pais não perguntam mais quando eu irei casar, nem como vão as coisas na faculdade, e por mim são assuntos que eu finjo estar morto e esperar o fim.
Sei bem me manter.
Vi aquele colega de óculos agora pouco, ele estava bem e com a cara de não tão feliz como de costume, o olhar dele segue a mesma linha tênue de sempre, e seu sorriso dura no máximo uns 3 segundos. Breve. Ele estava indo encontrar a quem chame de amor, e a quem esconda a dor que é ficar sozinho. Dei-lhe dois abraços e um aperto de mãos. Espero de verdade que ele melhore antes de se jogar no amor.
Não estava sozinho, encontrei aquele amigo antigo do cabelo colorido — Não sei se te lembras?. O cabelo nunca está igual. Hoje mesmo estava um louro prestes a se tornar natural. Ele vestia uma blusa de arco-íris que o deixava com mais cara de jovem rebelde dos anos 90. Acho incrível a forma como ele leva a vida embora eu saiba que não seja tão feliz assim. Tem a mania de se apaixonar pelo menos umas 50 vezes, apesar de que não se apaixone de verdade nenhuma delas. Comemos salgado barato e fizemos um percurso diferente desta vez, eu até me importei um pouco, mas sorri e me acomodei. — Você sabe como sou com rotinas. Ele me emprestou um livro com um conto que nos deixou minutos sem palavras nos restando apenas reflexões curtas. Pobres e inatingíveis. Falamos e rimos até a hora nos condenar. Ele com a sintonia de sempre. Um artista nato.
Queria ver aquela nossa colega... A sem empatia. Ela continua se escondendo atrás da grosseria de sempre e colocando a culpa no "eu sou assim" eu costumo gostar dela nos dias de chuva. E costumo rir de alguma coisa boba e não prolongar a conversa para não ler ou ouvir algo seco.
Não esqueci das lembranças que mandastes da outr...
...
 — Opa, o metrô vai parar, preciso descer. Caso sobreviva a correria daqui te escrevo outra vez.

Até mais.

— ConstelaçõesEmMim.

Lucas Vinicius

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