DLC, o inimigo dos gamers

Quando falamos da indústria dos games não podemos ter um pensamento antiquado de que isso é brincadeira de criança. Este fato se comprova com os altos valores que são movimentados anualmente pelo mercado e por um detalhe muito interessante: o faturamento dela é superior ao da indústria cinematográfica e musical juntas.

Porém, isso não é de hoje, desde 2007 que o mercado de games tem um faturamento superior ao deles. Além disso, o lançamento do Grand Theft Auto V quebrou o recorde de lucro de todos os seguimentos, obtendo um ganho de 1 bilhão em apenas três dias após o seu lançamento. Outro detalhe é que este mercado cresce 10% ao ano e, segundo a estimativa da New Zoo, o seu faturamento vai ultrapassar os US$ 91,5 bilhões agora em 2015.

Um dos motivos dessa ampliação do mercado de games é o crescimento dos números de jogadores com a produção dos jogos cada vez melhores, desde os gráficos até os enredos, fazendo com que atraia mais atenção para eles. Outro detalhe é o aumento de jogos para tablets e smartphones, só este nicho cresce cerca de 24% por ano e já consiste como um dos principais setores para as produtoras.

No topo do ranking de faturamento global está a China, que movimentou em torno de 22,2 bilhões de dólares, representando um crescimento de 23% em relação ao ano passado. Em segundo lugar vem o mercado americano, que até pouco tempo atrás ocupava a liderança, com um total de 22 bilhões de dólares.

Apesar da América Latina representar apenas 4% do faturamento global (4 bilhões de dólares), como podemos notar no infográfico acima, ela é um mercado muito estratégico para as produtoras, pois ele mantém um crescimento anual superior a todas as outras regiões do mundo.

Dentro deste mercado, o Brasil é o país com maior destaque, ele ocupa a primeira colocação com um faturamento de 1,5 bilhões de dólares, sendo que mais da metade dos gamers tem o costume de gastar dinheiro nos jogos.

Porém, segundo a empresa de pesquisa GFK, o mercado de games brasileiro deverá ter o primeiro ano ruim desde 2011. Estima-se que a receita das empresas fabricantes de consoles vai cair 8,8% e, as vendas de jogos físicos, 14%. Outro detalhe é que o final do ano representa uma época muito importante para este setor, entretanto, as expectativas para 2015 não são muito boas, ela vai ajudar a recuperar um pouco o buraco atual na receita, mas é muito provável que a receita acabe empatando com a do ano anterior.

Um dos motivos que o final do ano não será tão bom em receita é em consequência da alta do dólar. A Microsoft, por exemplo, já anunciou no início de Outubro que haverá um ajuste em seus dois consoles que, apesar de serem fabricados aqui no Brasil, muitos componentes são importados. O preço do Xbox 360 saiu de R$900 para R$1,1 mil, já o Xbox One, foi de R$2mil para R$2,5mil. A Sony também foi outra que foi afetada com a alta do dólar, mesmo eles tendo anunciado o início da fabricação do PlayStation no mercado brasileiro, o gerente-geral de PlayStation para a América Latina, Anderson Garcia, falou que o preço poderia ser mais baixo se o dólar não estivesse tão alto. O preço do console deles passou de R$4 mil para R$2,6 mil, muito mais em conta do que estava antes, porém se mantém superior ao concorrente direto.

Essas oscilações do mercado influenciam muito a vida dos gamers, pois acaba impactando no preço final dos jogos e consoles para os usuários. Porém, existe uma prática utilizada por muitas produtoras de jogos, um tanto maquiavélica, que são os DLCs.

Se você é um hardcore gamer deve ficar empolgado quando é anunciado algum lançamento novo, principalmente em uma época como a de agora. No final de 2013 os consoles passaram pela troca de geração, porém, desde então, ainda não teve nenhum jogo criado pra nova que empolgasse, na realidade este ano até começaram a aparecer alguns grandes. No mercado brasileiro, por exemplo, uma das perguntas feita por um instituto de pesquisa foi qual era o melhor lançamento de 2014, e o escolhido foi o GTA V, que foi produzido pra geração antiga.

Entretanto, o DLC tem um propósito bom, mas utilizado de forma ruim. O conceito do DLC é fazer com que o jogo tenha uma vida útil maior, você vai inserindo novos conteúdos ou add-ons para aumentar a experiência. A empresa que usa da melhor forma é a Rockstar Games no GTA, ao menos a cada seis meses eles lançam um novo DLC com missões co-op, roupas e carros novos, fazendo com que o jogo permaneça aquecido por muitos anos. Só para ter uma ideia, ele foi lançado no final de 2013 e, permanece até hoje, como um dos jogos mais importantes e jogados.

Porém, estamos usando um exemplo a ser seguido, mas que não é comum no mercado. Muitas empresas lançam um novo jogo e logo em seguida começam a soltar diversas missões extras mediante a um pagamento, o que gera uma insatisfação enorme, pois a sensação que fica é que você, ao comprar um jogo, não está comprando ele inteiro, mas apenas uma parcela e, se você quiser ele todo, tem que pagar por mais um pacote de DLC.

Apesar das críticas, essa prática vai continuar e é uma excelente forma de mantermos um jogo vivo por mais tempo, o que precisa mudar é a prática de algumas produtoras e, uma das formas de isso acontecer, é os consumidores pararem de comprar esses DLCs, forçando-as a mudarem a forma de negócio.