Brasileiro 1990: “Naquele dia, o universo era preto e branco, e ninguém podia negar”

por Ricardo Aretini, que tinha 17 anos na época e viu o Corinthians ser campeão brasileiro pela primeira vez na história

Quando o Corinthians passou para a final, dentro de mim tinha certeza de que presenciaria um fato histórico: o primeiro título nacional. Era proprietário de cadeiras cativas no estádio do Morumbi desde a época de meu avô. Era comum nas cativas, torcedores de outros times se misturarem aos do São Paulo. O clima era sempre muito tenso entre corinthianos e são-paulinos, mas existia um certo respeito.

Arquivo pessoal

A lembrança mais forte daquele 16 de dezembro era ver no sorriso de cada corinthiano a certeza da vitória, uma certeza que brotava de todo o histórico das semifinais, do primeiro jogo. Não era um ‘já ganhou’ arrogante, prepotente, era um ‘já ganhou’ fruto de uma certeza que só quem é corinthiano e viu as coisas que Tupãzinho, Fabinho, Neto e cia tinham feito até chegar ali. Naquele dia, o universo era preto e branco, e ninguém podia negar.

Fui ao jogo com meu primo Alexandre e meu irmão. De casa até o estádio, íamos com a bandeira tremulando e gritávamos ‘O Morumbi é nosso’ fazendo alusão aos jogos do Paulista de 82 e 83, quando Biro Biro, símbolo da raça alvinegra deitou e rolou. Tínhamos agora o craque Neto e outros jogadores que assimilaram o que era vestir a nossa camisa. Mesmo alguns não tendo grande técnica, deram o sangue até o final e presentearam a Fiel com o primeiro Brasileiro.

A torcida sempre muito inflamada e muito confiante na figura de Neto vibrava a cada minuto. No segundo jogo, então, com a vantagem da vitória do primeiro, as cativas tinham muito mais corinthianos do que são-paulinos. E a torcida não parava. Com o gol do Tupãzinho, então, o Morumbi virou o salão de festa do bando de loucos.

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