O dia em que conheci Pedrinho
Por Olavo Guerra*
Lembro-me como se fosse hoje o dia em que vi Pedrinho pela primeira vez. Eu havia acabado de começar a trabalhar no clube, em maio ou junho do ano passado. No CT Dr. Joaquim Grava, cruzei com um menino que julgava ter uns 15, 16 anos no máximo. Mancando com suas pernas tortas como um alicate, estava lá para tratar uma lesão no tornozelo que o atrapalhou durante praticamente todo o ano de 2016 — pós-Copinha, em que ele já tinha feito um importante gol diante do Cruzeiro, na semifinal disputada na Arena Corinthians.

Passei por ele, o cumprimentei e segui para meu dia de aprendizado com os assessores do profissional. Não me atentei que aquele cara era o mesmo da Copinha — quando eu ainda não estava na labuta pelo Timão.
Um ou dois meses depois, conheci “de verdade” Pedrinho. Ele, aos poucos, voltava a compor o elenco do Sub-20 durante a disputa do Campeonato Brasileiro e do Paulistão da categoria. Era nítido nos treinos que era um jogador fora do comum até mesmo para mim, um mero jornalista amante de futebol. Mas o que me chamava a atenção era a simplicidade com que ele, literalmente, vivia a vida. Com um caminhar calmo, quase sempre de bermuda e camiseta, fala mansa e risada contagiante. Faz piada com tudo!

Chegamos à final do Brasileirão Sub-20, e Pedrinho ainda estava em fase final de recuperação da lesão no tornozelo. Para piorar, Rodrigo Figueiredo — hoje companheiro de Pedrinho no elenco principal — se machucou às vésperas da decisão contra o Botafogo. Os cariocas terminaram com o título, mas já parei para pensar como teria sido esta final se os dois tivessem em condições plenas — Pedrinho chegou a entrar no jogo de volta, na Arena Corinthians, mas pouco pôde fazer na derrota por 2 a 0.
No fim de semana seguinte ao vice-campeonato brasileiro, Pedrinho voltou a fazer gol depois de quase cinco meses — ele havia balançado as redes na Nike Academy Cup, em Londres, na Inglaterra, justamente o torneio emque ele acabou se lesionando. Foi em uma vitória do Timãozinho Sub-20 sobre o Guaratinguetá, na Fazendinha, por 3 a 0. O gol foi de um fundamento que ele não está acostumado a usar: o cabeceio. Lembro de conversar com ele depois do jogo, e ele estava muito feliz por ter voltado a marcar.
Passou o Paulista e acabamos eliminados nas oitavas de final, diante do Santos. Em dezembro, embarcamos para o Rio Grande do Sul para a disputa da Copa Internacional Sub-20. Os resultados passaram longe do desejado — duas derrotas, dois empates e mais uma queda precipitada. Um dia, eu o encontrei na recepção do hotel, um ou dois dias antes de voltarmos para São Paulo, e ele parecia procurar respostas para o mau desempenho da equipe e, sobretudo, o dele mesmo — sabia que não havia jogado o que poderia.
Então, veio a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2017. E aí, meus amigos, eu conheci o Pedrinho de novo. Ele já tinha acenado (contra os times da primeira fase), dado um tchauzinho de longe (na partida contra o Internacional-RS). Mas em 19 de janeiro foi o dia em que ele se apresentou oficialmente. O local? Arena Barueri. O adversário? O Flamengo — aquele que, um ano antes, tirou a conquista do Corinthians nos pênaltis, após empate em 2 a 2 na grande decisão.

Aos sete minutos de partida, os cariocas abriram o placar em pênalti cobrado por Dener. A bola foi recolocada em jogo, e Pedrinho fez uma pintura. Dribles desconcertantes e um chute firme empataram a partida apenas um minuto depois. Del’Amore fez o segundo do Timãozinho, na etapa complementar, e deu a classificação ao Alvinegro para as semifinais.
Pedrinho seria eleito o melhor jogador da competição depois da vitória do Corinthians diante do Batatais na final, por 2 a 1.
Falavam-me muito de Pedrinho durante a recuperação dele, e eu fui ver quem ele era durante a Copinha. Ele foi promovido ao elenco principal, e a expectativa que a Fiel tem sobre ele é enorme.

Na noite da última quarta-feira (26), Pedrinho se apresentou para mim — e para todos — mais uma vez depois de marcar um gol antológico sobre o Patriotas, da Colômbia, na vitória por 2 a 0 do Timão, na partida de volta da segunda fase da Conmebol Sul-Americana.
Ser testemunha ocular da história que esse menino está fazendo enche a todos do Centro de Excelência em Formação de Atletas do Corinthians de orgulho.

Sabe o que impressiona? Ele não faz mais parte do Sub-20 — apesar de ainda ter idade –, mas está sempre no Parque São Jorge acompanhando os treinos e até em jogos na Arena Barueri para apoiar aqueles que o ajudaram a alcançar a glória de ser jogador do Corinthians.
Dia desses, foi almoçar na Casa do Atleta, o alojamento onde os jovens que vem de fora de São Paulo ficam — onde inclusive ele ficou, quando o alojamento ficava nas instalações do Flamengo de Guarulhos. Os meninos mais novos olhavam boquiabertos para ele, quase como se não acreditassem que o jogador do profissional do clube estava ali, almoçando a mesma comida que eles.
Este é Pedrinho.
Muito prazer, meu! Espero te conhecer inúmeras vezes mais.
*Olavo Guerra é assessor de imprensa do Centro de Excelência em Formação de Atletas do Corinthians desde maio de 2016. Formado em jornalismo pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduado em Jornalismo Esportivo pelo IPOG, trabalhou nas campanhas vitoriosas da Copa do Brasil Sub-17 2016 e da Copa São Paulo de Futebol Júnior 2017. Além disso, colabora com a equipe de comunicação do clube nos jogos da equipe principal desde maio deste ano e acompanhou o final da trajetória campeã do Timão no Paulistão 2017.
